Pode estar surgindo um novo ídolo esportivo no Japão. Kurumi Nara, no tênis, um esporte que não produz grande nomes em termos mundiais. No fim da semana passada, clicando o meu controle remoto, navegando pelos canais como faço o tempo todo, me deparei com a final feminina do All Japan Tennis Tournament.
Kurumi Nara uma jovem colegial de apenas 17 anos sagrou-se campeã feminina. Nara mostrou sinais de poder se tornar uma grande atleta, uma das que tem aquele algo a mais. E muita garra e perseverança. Além disso é simpática e se expressa com clareza e inteligência. Tem uma pequena desvantagem em relação às atletas da sua geração. É da turma dos baixinhos, a que pertenço. Ela treinou por anos na Academia de Tênis de Nick Bolletieri na Flórida, a mesma que formou cobrões como Agassi, Monica Seles, as irmãs Williams, Sharapova. Acho que vamos ouvir falar mais dela no futuro, quando ela começar a participar de torneios internacionais.
No teatro kabuki e noh, os homens representam mulheres há séculos, graças a um edito shogunal de 1626. Um Clube do Bolinha, onde meninas não entram. Gostaram tanto que mesmo hoje continuam mantendo essa tradição.
Grupos teatrais no formato ocidental em que as mulheres tiveram acesso, nasceram e morreram, e sobrevivem no Japão de hoje. Mas tem um grupo que existe desde 1913 onde meninos não entram. O Takarazuka Revue, um Clube da Luluzinha. As mulheres representam também os papéis masculinos. E não tem nada de parecido com os tradicionais kabuki ou o noh. As peças escolhidas pelo grupo Takarazuka Revue são em sua grande maioria versões adaptadas de famosos filmes ou peças de teatro, todos ocidentais ou então de mangás.
As atrizes que representam os papéis masculinos fazem o maior sucesso entre o seu fiel público, que é composto praticamente de mulheres. O que é que isso ssignifica? Que as mulheres japonesas tem tendências homossexuais ou bisexuais latentes e reprimidas?
Os costumes utilizados são mais ao estilo de Las Vegas. E fazem isso de forma exagerada, tipo shojo mangá, os mangás destinados às garotas. Ou será que foi o Takarazuka que influenciou as criadoras desses mangás? Os “homens” são todos magros altos, maquiados e penteados impecavelmente. E acho que é disso que as mulheres buscam. Uma válvula de escape para ver o homem idealizado em suas fantasias, o príncipe encantado, o que os homens deveriam ser. Não aqueles que elas enfrentam de volta à realidade, em suas casas, machistas mandões, insensíveis, que roncam e arrotam além de serem carecas e barrigudos!