O que você faria se alguém diz ter sido amiga de Tom Cruise numa encarnação passada? E além disso diz que viajou numa espaçonave e conheceu o planeta Vênus? Concordava com essa pessoa, com medo de contrariar ou mandava internar?
Pois esse alguém vive no Japão. Uma mulher poderosíssima, Miyuki Hatoyama, 66, nascida em Shangai, China durante ocupação japonesa. Não sei se ela dá essas declarações espalhafatosas para tirar um barato da gente ou se está falando sério. Ela ocupa parte do seu tempo escrevendo livros de receitas de comidas espirituais e também é designer.
Na década de 60 ela foi dançarina e atriz do grupo Takarazuka – que apresenta shows com muitas plumas e paetês, em que as mulheres fazem também os papéis masculinos. Veio para os Estados Unidos para estudar numa universidade em California e conheceu o seu marido que estudava em Stanford. Seu segundo marido. O primeiro era um dono de restaurantes e ela se separou para se casar com Yukio Hatoyama, político emergente, de uma família muito influente, econômica e politicamente. A família Hatoyama é a dona do Bridgestone, entre outras coisas, e o avô de Yukio foi primeiro ministro do Japão..
Miyuki Hatoyama está por trás da ascenção do seu marido Yukio Hatoyama ao post de primeiro ministro japonês no mês passado.
Num país em que a mulheres são reconhecidamente recatadas, a senhora Hatoyama, está causando furor. Essa primeira dama japonesa é completamente diferente de todas as que a precederam. Tenho a impressão que a imprensa mundial está adorando essa figura e vai dar muita cobertura a ela. Na semana passada, a Associação Japonesa de Jeans, a elegeu como Best Jeanist de 2009, por usar jeans com classe e num estilo inovador. Que a Michele Obama se cuide.
Se você ainda pensa que as mulheres japonesas são submissas, que andam dois passos atrás dos seus maridos, podem tirar o cavalinho da chuva. Japão não vai ser o mesmo depois da chegada desse tufão.
Quanto ao Tom Cruise, ela disse que ele era japonês numa encarnação passada, que eram muitos amigos e que gostaria de encontrá-lo novamente – disse que diria a ele, “puxa faz tempo que a gente não se vê” - e que gostaria de filmar com ele em Hollywood.
Ah, sim, e quanto ao marido, Yukio Hatoyama, um dos fundadores do Partido Democrático Japonês, impôs uma derrota fragorosa ao desprestigiado Taro Aso, que se deve mais do que qualquer outro motivo, à crise econômica que afetou Japão e afastou os eleitores do LDP, o partido que esteve no poder no Japão praticamente durante todo o período pós segunda guerra. O ministro vai ter uma ajuda muito grande da primeira dama que tem armas de sobra para desviar a atenção da mídia nos momentos mais críticos....
Foto da primeira dama, daqui e o poster de uma das produções do Takarazuka, daqui
Esta semana Colorado foi notícia no país inteiro porque um balão que possivelmente carregava um menino de seis anos voava pelos ares, desgovernado. Helicópteros de uma rede de televisão e também da Guarda Nacional acompanharam a trajetória desse balão e quando o balão aterrisou, nada do menino. Alguém disse ter visto um objeto caindo do balão e buscas se iniciaram, esperando pelo pior. O país inteiro acompanhou o drama da familia.
Durante o tempo que o balão estava no ar, alguns detalhes sobre a família começaram a ser divulgadas. O pai do menino é inventor, que vive correndo atrás de furacões e tornados. A família tinha também participado de um programa muito popular chamado Wife Swap (Troca de Esposas) há pouco tempo. Quando ouvi isso, fiquei meio desconfiado e acredito que muitas pessoas também devem ter ficado com pulga atrás da orelha.
A família procurou pelo menino, Falcon Heener, de 6 anos pela casa inteira, ligou para casas dos amiguinhos e nada. Depois se soube que o pai tinha chamado a estação de tv para pedir ajuda, antes de chamar a polícia. Mais pulga atrás da orelha! Começou a coçar à beça! Enquanto todos continuavam grudados na tv ou no computador para saber das últimas novidades, eu perdi interesse. Aí tinha coisa.
Depois de quatro horas, o menino foi descoberto escondido num caixote de papelão na garagem da sua casa. Felizmente! Alívio geral e o país voltou à normalidade. No dia seguinte, fui ler toda a reportagem sobre a saga do balão e descubro que o menino é mestiço, filho de um americano e de uma japonesa. Ai ai ai ai ai...
Não sei vocês, descendentes de outras nacionalidades, mas quando algo de bom acontece com algum nissei ou mesmo um asiático, eu abro um grande sorriso e me sinto bem. Mas quando alguém faz algo errado eu me sinto meio envergonhado como se eu tivesse alguma culpa. Coisa de velho japonês. Por isso fiquei torcendo para que essa família não estivesse pregando uma peça pro país ou pro mundo inteiro em busca de auto promoção barata. Torci para que os pais estivessem desesperados de verdade porque pensavam que o menino tinha realmente partido com o balão, numa travessura impensada.
Mas torci em vão. Quando Wolf Blitz do CNN numa entrevista com a família Heenes perguntou ao Falcon porque ele não havia respondido quando os pais procuravam por ele, ele se virou para o pai e disse algo como: vocês (no plural, ou seja o pai e a mãe) disseram que estávamos fazendo isso para um show!
Mal estar geral e o pai tentou se explicar mas o estrago já tinha sido feito. Com um mandado judicial a polícia do condado de Laramie, onde fica localizado Fort Collins, residência da familia, revistou a casa, levou computadores, arquivos e o sherife dclarou à iprnsa que tinha material de sobra para processar o casal.
Os telespectadores que viram o Troca de Esposas em que a família participou disse que o pai tem sérios distúrbios mentais e que precisaria ser internado. Veja os comentários aqui. Tenho pena das crianças... E posso garantir que a grande maioria das mulheres japonesas são mais sãs do que a Mayumi Heene.
Foto da família Heene, Mayumi, Richard, Bradford, Falcon e Ryo, tirado daqui.
As crianças de Wyoming aprendem desde cedo na escola que no Parque Nacional de Yellowstone, no cantinho noroeste do estado, se encontra o maior vulcão da América do Norte. Um vulcão totalmente diferente do que conhecemos. Tem uma craterazinha de 30 por 70 km, numa depressão ao invés de ter a sua cratera no topo de uma montanha. A frequência das suas grandes erupções que aconteceram no passado tem intervalos de 600 a 650 mil anos cada uma. Mas é um vulcão ativo e as evidências são visíveis por todo o lado. Uma câmara magmática, que chega a estar a apenas a 8km da superfície em alguns pontos, libera ou serve como combustível para milhares de geisers, termas, e outros acidentes geotermais de Yellowstone.
Os 3 milhões de turistas que visitam o parque anualmente, principalmente no verão, vão para acampar, fazer caminhadas, ver e admirar a natureza, os geisers, as cachoeiras, os canyons, as florestas, os animais. A maioria desses turistas,não percebem que estão caminhando ou dirigindo em cima dessa enorme cratera, mais conhecida como Caldeira de Yellowstone.
A última grande erupção ocorreu faz algum tempinho, há 640 mil anos. Ou seja, esse supervulcão pode voltar a ativa em um ou 10 mil anos e praticamente vivo ao lado dele. Felizmente vulcanologistas do U.S. Geological Survey e da Universidade de Utah que monitoram as atividades vulcânicas da região, em conjunto com o Parque Nacional de Yellowstone nos tranquilizam afirmando que supervulcões dariam diversos sinais advertindo uma erupção com décadas ou mesmo séculos de antecedência. Sinais como terremotos constantes, o inchaço da área ou pequenas erupções, essas coisas...
Eu me lembro de um momento, no mês passado, dentro do Parque: num dos estacionamentos eu fui sair do carro e quase caí Estou ficando velho e preciso me exercitar pensei eu, achando que eu tinha perdido o equilíbrio nas pernas. Ou será que estava meio tonto por causa da altura - 2400m em média – em que o Parque Nacional está localizado? Acho que não foi nada disso.
Cada ano, Yellowstone tem cerca de 3000, sim, isso mesmo, três mil terremotos. Tá certo que são pequenos, cada dia ocorre de 1 a 20 desses pequenos tremores quase imperceptíveis. Ás vezes, os terremotos são mais intensos, chegando a atingir 7.5 e 6.1 na escala Richter, como aconteceu recentemente em 1959 e 1975 respectivamente, fazendo estragos e causando mortes. No comecinho deste ano houve uma frequência irregular onde em apenas 12 dias houve mais de 1000 pequenos tremores. No mês passado teve 177 tremores e um deles foi aquele que senti no estacionamento.
E mesmo assim, não precisamos nos preocupar, dizem aqueles vulcanologistas. Espero que eles saibam o que estão dizendo...
Para aqueles que como eu, precisam ver para entender melhor, você pode checar aqui, um docudrama produzido pela BBC que foi mostrado nos Estados Unidos em 2005 pelo Discovery Channel. De acordo com a chamada do programa,”esta é uma história verdadeira ...só que não aconteceu ainda.” O filme bastante informativo mostra o que poderia acontecer se houvesse uma erupção cataclísmica em Yellowstone. Brianf55 baixou esse docudrama no Youtube dividido em duas partes, com cada parte tendo 6 segmentos de 8 a 10 min cada. Um assunto fascinante!
Depois que vi esse filme, decidi procurar informações sobre um possível emprego e moradia na Patagônia... Brincadeira gente, gosto de viver perigosamente, e vou continuar aqui até ser soterrado pelas lavas ou cinzas vulcânicas, da mesma forma que o pessoal que se mudam para Los Angeles vão para lá, na esperança de pegar o Big One, o terremoto que vai acabar com toda a cidade.
Quem quiser saber mais sobre o assunto, por favor siga os links e tire você mesmo as suas conclusões sobre a existência ou não de um perigo iminente de uma erupção.