Quarta-feira, Setembro 17, 2008
Uma mulher liderando o Japão?
Depois que o impopular primeiro ministro japonês Yasuo Fukuda decidiu abruptamente deixar o posto há duas semanas, cinco candidatos do seu partido emergiram para sucedê-lo. O próximo ministro vai ser o 14º. premier num espaço de 20 anos. Até parece Bolívia dos bons tempos!
A novidade agora é que uma mulher está se candidatando pela primeira vez ao mais alto posto político japonês - Yuriko Koike, uma linda senhora de 56 anos. Tem o apoio do ex-ministro pop star Junichiro Koizumi mas não deve conseguir a maioria dos delegados do partido. Koike quer prosseguir as reformas econômicas iniciadas por Koizumi mas com a presente situação econômicva no Japão e no mundo todo, os analistas não vêem chances dos seus planos serem implementados.
Yuriko Koike (foto ao lado), natural de Kobe, tem um currículo muito interessante. Ela se formou em sociologia pela Universidade de Cairo (sim, no Egito!), influenciada por seu pai, um comerciante de sucesso, que não conseguiu o mesmo no campo político. Foi uma âncora de tevê muito popular, fala o árabe e o inglês fluentemente, foi Ministra do Meio Ambiente e a primeira mulher a ocupar o posto de Ministra da Defesa embora por um curto período. Koike é uma camaleoa política mudando de partido de acordo com os ventos favoráveis do momento. Está em seu quinto partido desde que se iniciou na carreira pública em 1993 o que mostra as suas habilidades de uma ambiciosa política. Casou-se jovem e divorciou-se quase em seguida. Autora de diversos livros alguns com títulos estranhos como “Subindo a Pirâmide num Kimono” e outros como “Árabe em 3 dias”.
Nas suas duas passagens como Ministra, Koike nunca se entusiasmou ou se preocupou em utilizar o seu cargo para promover mudanças na posição da mulher na sociedade machista japonesa. Afinal uma agenda feminista continua sem receptividade no atual meio político japonês dominado pelos homens....

As eleições gerais para sacramentar o novo ministro só vai ocorrer no ano que vem, mas na verdade, o próximo dia 22 de setembro é que vai valer mesmo. Nessa data vai ser eleito o representante do LDP (Partido Liberal Democrático) que tem completo controle do parlamento. Aquele que for eleito no LDP na próxima semana é virtualmente o próximo primeiro ministro, que vai em seguida começar os conchavos para compor o seu governo. O amplo favorito é o conservador, Ministro das Relações Exteriores Taro Aso, 67, (foto ao lado) em sua quarta tentativa ao posto de
premier.
Ah, eu gostaria de ver uma mulher à frente do governo japonês!
Primeiro, porque seria uma boa sacudida no cenário político no país do sol nascente;
segundo, no caso da Yuriko Koike, seria bom para os nossos olhos, uma bela mudança estética, a de ver uma jovem senhora atraente no noticiário, ao invés dos horríveis Koizumi, Fukuda ou do Aso, que para infelicidade geral da grande comunidade dos homens japoneses (e descendentes, onde me incluo...) fizeram um grande desserviço manchando a nossa imagem de moderno samurai japonês;
terceiro motivo, a eleição de Aso, seria uma embaraço para o povo japonês, pois como o seu nome deve ser pronunciado (Assô), pode ser facilmente confundido com um palavrão em inglês, o popularíssimo
ass hole.
Portanto, fica aqui a minha recomendação ao inteligente (!?) parlamento japonês: PARA PRIMEIRA MINISTRA, VOTE EM YURIKO KOIKE!
Terça-feira, Setembro 16, 2008
Rotary Clube de Duartina
O
Rotary Clube foi a primeira organização prestadora de serviços. Ela foi criada na cidade de Chicago em 1905; O seu lema
Dar de Si antes de Pensar em Si, representa bem a missão dessa entidade. Tem mais de um milhão de membros voluntários espalhados por todo o planeta. E claro, tem
um em Duartina, que é presidido pela minha amiga Leila, esposa do amigão de infância Leonel. Pois um dia desses fui parar no site do
Rotary Duartina por causa de umas
fotos do centenário da imigração japonesa e quando ia saindo devagarinho, depois de ver os trabalhos que essa entidade tem feito na região, fiquei surpreso que existe um link lá, para esse aqui, pro gaijin4ever!!!
Espero que a Leila e o Leonel saibam o que estão fazendo, pois eu não sei... Em todo o caso, obrigado pela gentileza e um grande abraço para o casal Carvalho!
Na foto (copiada do site do Rotary de Duartina), a presidente Leila, o primeiro-marido Leonel, o filho Luiz Claudio, a nora Silbeni, o genro Leonardo e a filha Ana Paula.
Quarta-feira, Setembro 10, 2008
Estatização nos Estados Unidos!
e não estamos falando do Chavez ou Morales.
A administração Bush resolveu finalmente intervir nos dois monstros do crédito imobiliário americano, conhecidos como Fannie Mae (FNMA - Federal National Mortgage Association) e Freddie Mac (FHMC - Federal Home Mortgage Corporation).
A quebra dessas entidades, que são responsáveis por empréstimos que totalizam mais de 5 trlhões de dólares, iria provocar um tsunami global na economia dos países de todo o planeta. Essa quebra poderia paralisar tudo, pois sem crédito nada se faz no mundo hoje. Esse valor é maior que o débito de qualquer outro país, com exceção é claro, dos Estados Unidos. Grande Depressão seria fichinha comparado com o que poderia acontecer. Países como China, Japão e até a Rússia, tem em mãos uma boa parte de títulos dessas duas entidades financeiras como investidores e tinham começado a diminuir drasticamente os seus investimentos, ou seja reduzindo crédito para o pessoal que querem financiar seus imóveis.
O governo Bush vai injetar até 200 bilhões de dólares, que os analistas acreditam deverá estar mais perto dos 25 bilhões. Mas vocês conhecem os analistas, eles quase nunca acertam... portanto não se assustem daqui a uns 10 anos se o governo tiver gasto o dobro. Pensando bem, bota aí, dez vezes mais do que o valor inicial. Afinal, estamos falando dos Estados Unidos...
Essa intervenção acaba de vez com o conceito da política econômica neo-liberal do capitalismo americano baseada em privatização, liberalização e desregulamentação. Agora o jogo ficou claro, defende-se a privatização dos lucros e a estatização dos prejuízos!
Fala-se que a intervenção é temporária e quando essas entidades consigam caminhar por si vão ser privatizadas de novo. Será que o dinheiro público que o contribuinte americano vai desembolsar agora nesse momento de crise, vai voltar aos seus bolsos no futuro? Acho que eu e você já conhecemos o fim dessa história...
Os responsáveis atuais por essas entidades vão ser substituídos por Herb Allison, antigo vice-presidente da Merrill Lynch, que vai ser o número um da Fannie Mae e por David Moffet, que era o vice-presidente do US Bancorp para ser o CEO do Fredie Mac.
E qual foi a penalidade para os atuais CEO dessas entidades pela desastrosa administração, que provocaram a crise do mercado das hipotecas de alto risco (conhecido como
subprime) e não souberam reagir a tempo para controlá-la? Bom, não sei vocês, mas cheguei a chorar de pena dos dois. Segundo o
New York Times, Daniel H. Mudd (Fannie Mae) saiu da entidade com a irrisória soma de 9,3 milhões de dólares ao passo que Richard Syron foi para casa chorando com apenas 14.1 milhões de dólares. Coitadinhos...
Aqui, no site do bbc tem uma boa explicação como funcionam essas duas gigantes e porque entraram pelos tubos.
Sexta-feira, Setembro 05, 2008
Somente em Inglês, Please ou
The book is over the table
As golfistas profissionais que são membros da LPGA (Ladies Professional Golf Association) vão ser obrigadas a terem fluência em inglês a partir do próximo ano. As que não conseguirem provar fluência serão barradas dos eventos patrocinados pela entidade. Não sei se isso chegou a ser notícia no Brasil. Não vi nenhuma reação indignada por parte da grande mídia.
A LPGA tem entre os seus membros, 121 golfistas internacionais representando 26 países diferentes. Ultimamente a maioria dos torneios dessa entidade tem sido dominada justamente por essas atletas internacionais - elas paparam19 títulos dos 24 eventos neste ano, principalmente a mexicana Lorena Ochoa que venceu 6 desses torneios. Há entre elas, 45 golfistas sul-coreanas e outras orientais americanas como a jovem Michele Wie, da foto aí do lado.
A explicação dada pela Comissária Bivens (a Presidenta da associação), no último dia 2 de setembro, é que LPGA depende muito de torneios que são patrocinados por grandes corporações e que ao contrário de outros esportes, as golfistas tem a função de entreter os patrocinadores, o público e além disso tem que dar entrevistas e para isso é preciso ter fluência em inglês. Ou seja, dane-se as suas aptidões como atleta.
Num momento em que as barreiras internacionais deveriam estar sendo derrubadas, vem uma entidade com mostras de uma xenofobia intolerante com essa babaquice descomunal que só vem a reforçar a imagem dos Estados Unidos como um país unilateral, monocultural e arrogante. Ficaria até mais elegante restringir o número de estrangeiros na associação do que tentar utilizar de subterfúgios para que mais americanas pudessem ter mais chances. Infelizmente, mais uma amostra do declínio dos valores americanos. Poderiam criar um programa para incentivar a prática desse esporte como aconteceu na Coréia do Sul e ao invés disso ficam inventando essa palhaçada! Já pensaram se o mesmo ocorrer com o PGA (o equivalente masculino) ou com NBA (basquetebol), MLB (beisebol)?
Recentemente, Choi, um golfista coreano, que por sinal, fala bem o inglês, foi entrevistadao por um repórter americano que queria encerrar a entrevista com um “obrigado” em coreano, mas se desculpou dizendo que tinha esquecido a palavra. Choi comentou sorrindo com o seu técnico, que tinha ensinado uma simples palavra a esse repórter há alguns anos e até agora ele não tinha aprendido. “E eles querem que a gente aprenda tudo de inglês?”
E se de fato a LPGA tem a preocupação de entreter, eu poderia até sugerir que as golfistas aprendessem malabarismos, mágicas, cantar ou dançar...
That´s entertainment! E que tal obrigar as atletas americanas a vencerem mais torneios?
Foto da Michele Wie, foi tirada daqui.
Update
Depois que escrevi o texto acima fui checar o site da
LPGA e o que vejo lá?
Um
comunicado escrito hoje, da mesma Comissária Bivens, suspendendo as penalidades referentes à “politica de comunicação efetiva”, depois de ter recebido diversos comentários a respeito dessa norma.
Nenhum pedido de desculpa, mas sim a promessa de reestudar o assunto e de um comunicado no futuro. Incrível. Vou ficar muito surpreso se ela continuar no posto.
Ora, pensem bem, se essas profissionais querem se dar bem no circuito da LPGA, elas vão por conta própria aprender o inglês sem ninguém precisar de obrigar ou penalizar aquelas que não mostrarem proficiência. Exatamente como acontece com qualquer profissional ou executivo estrangeiro que quer se dar bem aqui nos Estados Unidos.