outros blogs

  • amadurecendo
  • Ângela, escritora
  • Antigas ternuras
  • Blog do Gadelha
  • Brasil! Brasil!
  • Converse com meus neurônios
  • Cuidado, estão te espiando
  • Desabafo País
  • Desfio (Crib Tanaka)
  • ...eeepa!!!
  • finalidade
  • fragmentos de mim
  • furmi (vânia)
  • go arquitetura
  • gueixa & samurai
  • indo contra a corrente
  • Jack não tá fazendo nada
  • Lúcia Hiratsuka
  • Magui
  • Mainichi Doduti
  • Mente quem diz...
  • micropolis
  • na cozinha
  • naftalina no sarcófago
  • ontem e hoje
  • open house (Cris)
  • parafraseando
  • pensar enlouquece, pense nisso
  • Playground dos Dinossauros
  • pras cabeças
  • quero dizer que...
  • Ramses Sec XXI
  • retalhos
  • Suika & Cia
  • Taverna de Ivanhoé
  • último momento
  • Um caipira na Paulista
  • Vida
  • emigrados, imigrados e transitórios

  • Abril 100 anos, blogueiros
  • Associação Brasileira de Dekasseguis
  • Cipango
  • Meu Japão, da Karina Almeida
  • Meu Japão é muito mais legal, de Ewerthon Tobace
  • Muito Japão
  • Kurati in Japan
  • Panorama Nihon
  • Sobre o Japão e os japoneses"
  • Vida
  • mais links

  • Agreste
  • Blog-se, o blog dos jornalistas
  • Brazilian Superlist
  • Caros Amigos
  • Emiliano José
  • Fazendo Media
  • Go Arquitetura
  • Helena Sthephanowitz
  • Colagem
  • Cora Rónai
  • Jornal do Blogueiro
  • jovem guarda
  • mundo pequeno
  • Propagandas Antigas
  • Rotary Club de Duartina
  • inglês

  • Engrish
  • Michael Moore
  • Nikkei View
  • Ruth Ozeki
  • Talk Left
  • This modern world
  • gaijin está aqui também

  • Playground dos Dinossauros
  • para saber mais

  • sobre Duartina
  • sobre o gaijin
  • álbum de fotos do gaijin
  • Archives

    Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com
    O Ponto de Encontro dos Blogueiros do Brasil
    BlogBlogs.Com.Br
    Segunda-feira, Junho 29, 2009

    Das cinzas de lixo industrial a um campo de golfe





    O verão chegou definitivamente aqui em Wyoming. Ao invés de malhar nos diversos clubes, tenho visto muita gente andando, passeando, correndo e se exercitando nos parques e nas muitas trilhas espalhadas pela cidade.

    Aqui perto de casa tem uma trilha que atravessa praticamente toda a cidade beirando o rio que citei aqui mesmo há algum tempo. Mudamos de casa, e agora, moramos perto de um campo de golfe, praticamente ao lado do centro da cidade. Levo uns cinco minutos a pé daqui de casa para chegar às margens do campo de golfe. E é lá que andamos na trilha ao redor do campo para desenferrujar os ossos, junto com o pessoal da vizinhança. Uns levam os bebês nos carrinhos outros vão com os seus cachorros, outros vão patinar ou andar de bicicleta. Enfim, tem de tudo.

    O interessante desse campo de golfe é que era o local da antiga refinaria de petróleo da Amoco, que funcionou de 1913 até 1991. Como vocês devem imaginar essa refinaria abandonada deixou sua marca de sujeira e detritos de quase oitenta anos de operações. O governo através da EPA – que nome mais apropriado ein? – a Environmental Protection Agency, forçou a Amoco a limpar toda a sujeira ou levaria uma multa gigantesca. Enquanto isso a BP – British Petroleum entra na jogada pois havia adquirido a Amoco. Ela entrou num acordo com a cidade e envolvendo diversas organizações, mais de 350 km de tubos foram retirados do subsolo, removeram o solo contaminado, plantaram mais de 2000 árvores, projetaram e construiram esse lindo campo de golfe cuja sede tem também um restaurante, uma réplica de um antigo posto de gasolina. Um business park foi projetado num outro ponto do terreno, o fluxo de água contaminada que corria para o rio, foi contido. Ficou tudo pronto há dois anos.

    E a área onde vivo, onde residiam uma grande parte dos operários da refinaria - muitos deles ainda estão por aqui, mas todos aposentados - melhorou de status um tiquinho. Graças ao trabalho conjunto da Amoco-BP com a comunidade, diálogo aberto e transparente, da mútua confiança e colaboração de todos, a área que era uma mancha negra na imagem da cidade, é exatamente o oposto hoje. Uma jóia, um motivo de orgulho de Casper.

    Fotos do site do 3 Crown Golf Club.

    Fale qualquer coisa aqui :
    Quarta-feira, Junho 24, 2009

    Resmungando sobre Greeley, Swift e outras bobeiras





    No fim da semana passada estive em Greeley, em Colorado, para participar das Olimpíadas dos Seniors das Montanhas Rochosas (Rocky Mountain Senior Games) , abertas aos velhinhos que como eu, ainda pensam que são atletas, aqui da região de Colorado, New Mexico, Utah, Wyoming. Greeley fica a cerca de 45 minutos, ao norte de Denver.

    A população de Greeley é de 90 mil habitantes. Foi fundada em 1869 por Nathan Meeker, um jornalista de Nova York que adquiriu uma área em Colorado onde ele planejava criar uma comunidade sujeita a padrões morais rigorosos. Nada de bares, bebidas alcoólicas ou prostitutas na comunidade. A cidade se chamou inicialmente Union Colony, mas depois passou a se chamar Greeley, que Meeker, num arroubo de puxa-saquismo, resolveu homenagear Horace Greeley, seu chefe que publicava o New York Tribune. Greeley foi um dos maiores incentivadores da ocupação do oeste americano. É ele que tornou famosa a frase “Go West, young man” e que completava com “and grow up with the country”. E apenas como curiosidade, o correspondente europeu do jornal de Greeley era um sujeito chamado Karl Marx. Será que foi Marx quem fez a cabeça do Meeker?

    A idéia de criação de comunidades utópicas auto-sustentáveis não começou com os hippies nos anos 60. Houve diversas outras experiências, inclusive outras, aqui nos Estados Unidos no século 19. Ford tentou uma coisa um pouco diferente, em Fordlândia, recriando uma cidade americana em plena selva amazônica, tentando impor uma cultura completamente estranha, goela abaixo aos trabalhadores brasileiros em 1928. Na sua cidade, que Ford nunca chegou a visitar, era proibido consumir bebidas alcólicas e nada de farinha ou feijão. Comida tinha que ser a mesma consumida em Michigan. Tinha espinafre todos os dias. Houve uma rebelião no refeitório da empresa. Pô, espinafre todos os dias? Até eu me rebelaria...

    Bom, quanto a Greeley, as suas rígidas normas poderiam estar no papel, mas tinha uma boa porção de marmanjos que não tinham princípios morais tão rigorosos como os de Mr. Meeker. Eles descobriram rapidamente que outras cidades da vizinhança os receberiam, digamos, de braços abertos, pra não dizer também de outras partes do corpo...

    Os brasileiros antenados no mundo dos negócios, devem estar pensando, onde é que ouvi o nome dessa cidade antes? Greeley, é onde fica a sede da Swift, que como sabemos está nas maõs de um grupo brasileiro, JBS, aquele do Friboi, comandado por Wesley Batista. Passando em frente da sede, em Greeley, a bandeira brasileira tremula ao lado da dos Estados Unidos. Li num noticiário recente que JBS está meio encrencado, na mira da Receita Federal no Brasil, por conta de possíveis irregularidades. Aqui também, mas por causa do medo dos americanos de perder todo o mercado de carnes processadas para uma família brasileira...

    Quanto a Greeley, a lei seca felizmente não existe mais, apesar de ter durado até 1972! É uma cidade em que os imigrantes legais ou ilegais estão ocupando um espaço cada vez maior.



    A foto acima não é de Greeley, mas de um Falansterio, tirado daqui.
    Fale qualquer coisa aqui :
    Sábado, Junho 13, 2009

    A cidade esquecida na selva





    Um dia desses, dirigindo a minha caminhonete Toyota caindo aos pedaços, pelas ruas de Casper, estava ouvindo a npr, a national public radio, quando fiquei sabendo do lançamento do livro chamado Fordlandia – The Rise and Fall of Henry Ford´s Forgotten Jungle City, de Greg Grandin.

    Daí, enquanto dirigia, veio uma imagem de um hidrante americano em plena selva amazônica que devo ter visto num livro didático. quando ainda cursava o ginasial antigo lá na minha Duartina. Penso que foi num dos livros de geografia de Aroldo de Azevedo. Foi a primeira vez que ouvi falar de Fordlândia.

    Fordlândia foi um projeto gigantesco de Henry Ford. Ele tinha idéias definitivas e inflexíveis de como produzir carros e como tratar os seus empregados. Ele dizia por exemplo que os carros que saiam da sua linha de produção poderiam ser de qualquer cor desde que eles fossem pretos.

    A sua fábrica de carros precisava também de pneus. E o seu plano foi o de instalar uma fábrica com toda uma infra-estrutura americana, na fonte, onde havia seringais a dar de pau. Ou seja, na nossa Amazonia. Uma cidade americana foi planejada para abrigar os trabalhadores e a equipe técnica trazida dos Estados Unidos. Casas iguaizinhas as de Dearborn em Michigan, a sede da Ford, com gramado e cerquinhas brancas. E salão de danças, cinema, hidrantes nas ruas.

    O projeto foi iniciado em 1928. Mão de obra e materiais americanos foram enviados para a selva para tornar o sonho uma realidade. Os americanos não se adaptavam às duras condições do local e houve uma rotação muito grande dessa mão de obra especializada e cara. O desconhecimento da cultura de seringais, o completo descaso para problemas culturais que nem imaginava existirem, fizeram com que o projeto fosse um grande desastre. Calcula-se que foi despejado de 20 a 30 milhões de dólares na empreitada, que hoje equivaleria a 200 a 300 milhões.

    Mas alguém com o perfil de Ford é também muito teimoso. Depois de abandonar o projeto em Fordlândia original, ele insistiu com o projeto, dessa vez um pouco mais perto da civilização, próximo de Santarém, em Belterra. Teve o mesmo resultado. Toda essa área, duas vezes o tamanho do estado de Delaware, foi vendida nos anos 40, de volta para o governo federal brasileiro por 250 mil dólares.

    Pelo que ouvi da reportagem sobre o livro, Belterra ainda mostra vestígios desse sonho ou pesadelo americano mesmo depois de mais de 50 anos. Um plano que foi pro brejo devido ao completo desprezo às condições da nova terra e principalmente à cultura local por parte dos americanos. E parece que nunca vão aprender pelo que fizeram e ainda fazem mundo afora...

    Foto de Belterra, hoje, daqui.

    Mais sobre Fordlândia aqui, num artigo da Maria Fernanda Ziegler no Aventuras na História, da Abril.
    Fale qualquer coisa aqui :
    Quinta-feira, Maio 28, 2009

    Mais Los Angeles





    Voltando mais uma vez a falar sobre Los Angeles, onde estivemos no começo do mês... Caipira quando sai pra viajar é triste, não é mesmo? Prometo que vai ser o último texto sobre Los Angeles ... até o próximo.

    Fomos ver um jogo de beisebol no Estádio dos Dodgers. Ele fica bem pertinho do centro da cidade embora não seja visível andando de carro pelos inúmeros highways que cortam a cidade. O estádio foi construído numa área chamada Ravina de Chavez. Nos anos 40, início da década de 50, era uma área rural habitada principalmente por latinos, mexicanos e descendentes, todos pobres. A proximidade com o centro da cidade tornou a área um alvo para a voracidade imobiliária. Depois disso foi uma questão de tempo – desapropriação pela prefeitura; a prefeitura vende o terreno de volta para o setor privado a preço de banana; um clube de beisebol decide mudar para a cidade; mais uma troca de favores e nasce um enorme estádio. Inaugurado em 1962 o Dodgers Stadium é bonito mas está meio velhinho. Um plano de expansão e modernização já está em andamento. Recentemente foi o palco da partida final da versão beisebolística da Copa do Mundo.

    Little Tokyo

    É a versão angelina do nosso bairro da Liberdade em São Paulo. Tem inclusive o Centro Cultural ( Bunka Center), muitas lojas vendendo doces, comidas e artigos japoneses mas principalmente, mais de 60 restaurantes japoneses num raio de uns 200 metros. Renovei a minha japonesidade. Ali fica também o Museu Histórico dos Japoneses Americanos. Infelizmente o museu estava fechado. Só abre de fim de semana ou durante a semana para grupos especiais, que precisam agendar com bastante antecedência.

    A comida é boa e os preços bem razoáveis nos diversos restaurantes. Ao contrário do que acontece no resto do país, os chefes dos restaurantes no Little Tokyo são em sua grande maioria, japoneses mesmo. Aqui em Casper são vietnamitas. Nada contra, mas inevitavelmente a comida sofre influência do background do chef e consequentemente a comida sofre modificações. Um tempura aqui não é o mesmo que um tempura num restaurante japonês da California. Principalmente o molho, que na versão original japonesa é bem suave e delicado. Na área de Los Angeles está a maior população de expatriados japoneses em todo o mundo. Os restaurantes tem que andar na linha para satisfazer o gosto e o bolso dos executivos japoneses e de suas familias. E a gente se beneficia disso.

    O que eu gosto da comida japonesa não é sushi nem sashimi, que são tradicionalmente comidas para dias de festa. O bom mesmo é comer a comida caseira do dia a dia e esses restaurantes oferecem uma variedade enorme disso. É como o arroz com feijão e um bife acebolado com batatinhas fritas. Tem o mesmo efeito de nos levar ao conforto familiar da comidinha da mamãe.

    Santa Monica, Venice

    Passamos rapidamente pelos canais da Veneza californiana , pelos piers e praias em Venice e Santa Monica. Nas calçadas em frente da praia muito comércio ambulante e muitos artistas famintos apresentando seus trabalhos em suas barracas.

    CBS

    Encontramos um tempinho para assistir a uma gravação do show de Craig Ferguson, um comediante escocês que está lutando por um lugar ao sol na terra do tio Sam. Fomos até um dos estúdios da CBS e pegamos a fila para o show dele. Como dizia a prima da vizinha da minha avó, de graça, até injeção.... Ferguson é o apresentador do talk-show Late Late Show, que passa aqui nos Estados Unidos depois do show do David Letterman. Ficamos quase uma hora tendo que aguentar um “lubricator”, um cara sem graça que tem a função de preparar a audiência a rir, mesmo que as piadas sejam sem graça. Acho que funcionaria bem melhor na base da reação natural da audiência pois o Ferguson é bom. Ele faz o mesmo que outros apresentadores, contando piadas na abertura, que no caso dele segue um determinado tema, que muda em cada um dos seus programas na base de muita improvisação, que é raro entre apresentadores americanos. No dia em que estivemos lá o entrevistado foi o George Hamilton, velhinho mas ainda em boa forma, que foi galã de um monte de filmes sem nenhuma relevância no século passado. A entrevista foi muito gostosa, bem conduzida pelo Craig Ferguson.

    Das três maiores cidades dos Estados Unidos (Nova Iorque, Chicago e Los Angeles) conheço mais Nova Iorque, que visitava muito no tempo em que morei na costa leste. Mas se tiver que escolher baseado na primeira impressão que tive dessas cidades, fico com Los Angeles. Não foi a primeira vez que fui a Los Angeles, mas a cidade continua me fascinando. Coisa mais brega, mas fazer o quê...


    Fotos tiradas durante a viagem relâmpago a Los Angeles, maio de 2009.

    Fale qualquer coisa aqui :
    Terça-feira, Maio 19, 2009

    Los Angeles




    EEstivemos em Los Angeles na semana passada por causa do alistamento militar do Emerson. O consulado em LA tem jurisdição sobre os brasileiros vivendo em Wyoming e tivemos que ir pessoalmente para retirar os papéis. O consulado fica em Beverly Hills, a mesma daquela da série de tevê, a do código postal 90210, uma cidade do condado de Los Angeles. Beverly Hills é onde ficam algumas das casas mais caras e extravagantes do país. O preço médio das casas ali gira em torno da bagatela de dois milhões de dólares. E ali no Wilshire Boulevard, bem no centro, pertinho do Rodeo Drive, Santa Monica Boulevard, Sunset Boulevard, fica o nosso consulado. Ocupando algumas salas num andar do enorme edifício chamado Flynt Building. O nome parece familiar? Sim, é o mesmo que publica Hustler e outras revistas para adultos. Fui lá esperançoso em cruzar com algumas das modelos que embelezam a revista educativa quando subimos pelo elevador, mas para minha grande decepção não vi nadinha. Bom, não se desespere pensei eu, pode ser que no consulado trabalhe alguma funcionária com ambições de embelezar as páginas da revista, mas tudo que vi foi marmanjos de meia idade... O meu consolo foi que o serviço no consulado foi muito eficiente e em menos de quinze minutos o meu menino estava devidamente alistado.

    Fogo de Chão

    Estávamos com fome e para não andar muito, fizemos uma extravagância. Para celebrar a ocasião (que ocasião ?) fomos ao Fogo de Chão ali pertinho. A churrascaria de luxo fica na mesma área em que ficam outros restaurantes famosos. O rodízio tem o precinho bem camarada de 36 dólares por pessoa! No jantar o preço vai para 56. Mais a bebida e gorjeta. Estouramos o orçamento de toda viagem num almoço só. O serviço é eficiente, rápido e a variedade das carnes e da mesa de frios não me impressionaram. Estamos nos Estados Unidos, e aquela fartura toda você não vai encontrar em nenhum outro restaurante daqui. Se você quer provar sushi ou sashimi como no Brasil, vai ficar com água na boca, pois não fazem parte do cardápio. O Fogo de Chão tem também um impressionante celeiro de vinhos mas nenhum garção nos ofereceu ou sugeriu uma taça sequer. Não havia muita gente durante o almoço, mas pelo que ouvi do pessoal que trabalha ali, o restaurante vai muito bem obrigado. O Fogo de Chão está presente também em Dallas, Miami, Baltimore, Chicago e mais dez grandes cidades. O próximo restaurante da rede a ser aberto ainda este ano será em Denver, que fica mais ou menos aqui perto, só quatro horas, de carro... Prefiro viajar um pouco mais e me deliciar com as carnes e as mesas de frio no Brasil...
    Fale qualquer coisa aqui :
    Sábado, Abril 25, 2009

    Filmes e Novelas Asiáticos - Onde?





    Vocês podem não acreditar mas houve uma época no século passado, em que semanalmente vários filmes japoneses entravam em cartaz em São Paulo. Os filmes lançados praticamente ao mesmo tempo que no Japão, eram exibidos nos cines Jóia, Nippon, Niteroi e Nikkatsu. Depois disso esses filmes rodavam o interior de São Paulo e de Paraná. A época de outro do filme japonês ficou pra trás, os cinemas fecharam e viraram templos de cultos religiosos.

    Hoje precisamos de ir ao Japão para ver filmes japoneses ou pedir dvds pela intenet. Os poucos filmes japoneses que alcançam o mercado ocidental, são apresentados em festivais de cinema, alguns outros em cinemas de artes. Outros recebem uma versão americana e os originais nunca chegam a essa grande ilha, os USA.

    Mas pra tudo se dá um jeitinho não é mesmo? A Kaoru-san, a professora de japonês do colégio onde o Emo estudou esteve aqui em casa um dia desses e me deu uma dica muito interessante. O mysoju.com . Nesse site, os amantes de filmes asiáticos podem ter acesso a um grande acervo de filmes e novelas produzidos recentemente na Coréia, Japão, Taiwan, Hong Kong. Tudo de graça, sem aquelas frescuras de membership, nada.

    Soju é uma bebida parecida com vodka, um pouquinho mais doce, que desce suave como água. Altamente traiçoeira. Um dos maiores porres da minha vida aconteceu quando tomei a bebida pela primeira vez. Fui tomando sem sentir, exageradamente para o meu tamanho... Os japoneses chamam a mesma bebida de Shochu (shotiu). Mas estou fugindo do assunto. Enfim, taí a dica para aqueles que gostam de filmes asiáticos. As legendas dos filmes que andei vendo são todas em inglês. Só espero que não fechem o site como acontece com tudo que é bom e grátis na internet.

    Este outro site, o KeyHoleTV, mostra programas de tevê em japonês em tempo real. Mas aqui não tem essa moleza de legendas e fico boiando. Há diversas opções, inclusive programas de rádio. Visite aqui para fazer o download.

    PS. E tem também o plin-plin a vivo, para aqueles que como eu moram no exterior, com a opção de ver a emissora paulista ou a carioca, aqui neste site. (http://www.justin.tv/onnetsport). Mas não espalhe, não conte a ninugém, senão tiram do ar rapidinho...

    Fale qualquer coisa aqui :
    Domingo, Abril 05, 2009

    Mais Música Japonesa – mas isso é japonês???




    Pulando de galho em galho nessa selva cibernética, de vez em quando deparamos com algo completamente diferente do que estávamos procurando inicialmente. Acredito que acontece com todos vocês. Foi o que aconteceu comigo ontem à noite. Procurando por uma música de Okinawa dei de cara com esse conjunto aí ao lado. Uma linda e agradável surpresa. Vendo o clipe no YouTube fui contagiado pela alegria do grupo e com vontade de sair dançando. Ryukyu Chindon Gakudan é o nome dessa banda, composta por sete membros que funde a mambembice dos chindons (leia comose fosse tindon) com a música de Okinawa.

    Lembro ter visto em antigos filmes japoneses, os chindon-yas, que são grupos de músicos de rua contratados por comerciantes para fazer propaganda de produtos, liquidações ou inaugurações. Os chindon-yas ficam tocando na frente das lojas ou andando pelas ruas movimentadas do Japão distribuindo panfletos. Você pode ter uma idéia do que estou tentando descrever, vendo a imagem desses bravos músicos aqui, ou então aqui. Infelizmente é uma tradição japonesa que está desaparecendo.

    A música de Okinawa é muito rica e variada, com sua própria identidade, diferente da do resto do Japão. Okinawa, é a mais tropical das províncias japonesas e talvez por isso, os okinawanos tenha uma certa semelhança com os brasileiros, pela musicalidade, gosto pelas festas e sua alegria contagiante, apesar de serem um povo que sofreu muito por estar constantemente sob controle de estrangeiros por séculos e séculos.



    Essa mistura do chindon com a música de Okinawa é irresistível. Simplesmente impossível não gostar de um grupo que tem músicos com nomes como Yoda, Bobzi, Itigo (Morango), Katherine e misturam sax, sanfona, bateria, bandoneon (?), tuba, sanshin - instrumento de corda típico de Okinawa e que no caso desse grupo, utiliza um raro, de dois braços - e para completar, um vestuário vivo e colorido! Uma mistura que tem influência ocidental, com toques do jazz de Nova Orleans e a polka européia em algumas ds músicas. É, coisa de louco...

    O Ryukyu Chindon Gakudan vai mudar o conceito que todos nós temos a respeito da música japonesa, tradicional ou moderna. Não sei se vai fazer sucesso com os conservadores ouvintes do Enka, a música de fossa, tradicional japonesa ou daqueles que são fans do J-Pop, a música pop moderna japonesa, mas espero que continuem tocando juntos por muitos anos. Um belíssimo exemplo de não-conformismo japonês.

    Fale qualquer coisa aqui :
    Sexta-feira, Março 27, 2009

    Música japonesa nos USA - Mais uma tentativa



    A princesa da música pop japonesa, Utada Hikaru, de 26 anos lançou o seu último álbum no site da iTunes Music Stores ante-ontem, com o claro objetivo de conquistar o mercado americano. A versão em CD desse álbum que tem o título “This is the One” que soa mais como “dessa vez vai” vai para as lojas no mês de maio. Entretanto, é a primeira vez na história do iTunes Stores que um artista japonês consegue estar entre os Top 100, nos cinco anos de existência do site e a entourage da Utada está bastante esperançosa de um sucesso. Utada é filha de japoneses ligados à industria fonográfica, nasceu e foi criada em Nova York.

    Utada tentou o mercado americano antes, com o seu álbum Exodus, em 2004 , que vendeu mais de um milhão de cópias no Japão, mas foi completamente ignorado aqui nos States.

    Vamos esperar pelo mês de maio e checar a parada de sucessos da Billboard. Quanto a mim, não gosto da música pop japonesa. Estou bem longe de fazer parte do mercado alvo desse tipo de música. O J-pop é uma imitação oriental da música pop americana, bastante artificial, que os jovens nipônicos parecem se identificar em seu esforço de se afastarem das rígidas normas de conduta e da cultura tradicional japonesa.

    Mundial de Beisebol


    A história é bastante diferente quando falamos do beisebol japonês. A seleção do Japão se tornou bicampeã do torneio World Baseball Classic, que é uma espécie de Copa do Mundo do beisebol, que terminou esta semana no Dodgers Stadium em Los Angeles, California. O torneio teve a participação de 16 países com as fases iniciais realizadas em Toquio, Cidade do México, Toronto, San Juan em Porto Rico, Miami e San Diego.

    O Japão venceu os Estados Unidos por 9x4 na semi-final e bateu a Coréia do Sul numa final bastante emocionante na prorrogação, graças ao meu xará Itiro, que com seu hit proporcionou 2 pontos que desempataram a partida que estava 3x3 ao final das 9 entradas (innings) regulamentares.

    Há muitos japoneses jogando nas grandes ligas profissionais daqui. O Itiro Suzuki por exemplo joga pelos Mariners de Seattle. O Daissuke Matsuzaka, eleito o melhor jogador do torneio, é conhecido aqui como Dice-K, um grande ídolo em Boston. São tantos os atletas que vieram para cá que já perdi a conta. Com mais esse título, os japoneses vão continuar marcando presença entre os melhores atletas do mundo nas milionárias Liga Nacional e Liga Americana.

    Fale qualquer coisa aqui :
    Sexta-feira, Março 20, 2009

    Oba, oba isso sim é que era jornal!



    No mês passado mais um grande jornal fechou as suas portas aqui na região onde vivo. A dois meses de completar 150 anos, o Rocky Mountain News, de Denver foi às bancas pela última vez. Desapareceu sem deixar herdeiros, ou seja sem uma versão do jornal on line. Infelizmente não é um fenômeno isolado. Fechamento de jornais tradicionais pipoca pelo mundo todo. Pra não dizer que estou mentindo, nesta semana, o Seattle Post-Intelligencer que tinha 146 anos de existência, também decidiu fechar. Ao contrário do Rocky Mountain News, vai continuar com uma versão on line, usando menos de 10% dos jornalistas que faziam parte da versão impressa.

    Será que o jornal impresso vai desaparecer de vez? O que é que os peixeiros vão usar para embrulhar o peixe? Como faremos para forrar o chão, para proteger o assoalho quando vamos pintar a parede, sem o jornal velho?

    Eu deveria ter uns 10 ou 11 anos, mais ou menos na mesma época em que um tal de Johannes Gutenberg lançou a sua primeira Bíblia impressa, quando me interessei pela leitura de A Gazeta Esportiva. Infelizmente na Idade Média, essa literatura não era vista com bons olhos pelos meus professores que não conseguiam entender como um jornal desses poderia incentivar a leitura ou de nos educar de alguma forma. Era considerada um tiquinho “menos pior” do que os Catecismos de Carlos Zéfiro...

    Apesar de ser menosprezado pelos mais cultos, ela foi importante. A importância d'A Gazeta Esportiva não estava em somente noticiar sobre os esportes. Ela agiu diretamente na disseminação de esportes amadores assumindo papel incentivador que o Estado não cumpria. Promoveu torneios e provas gigantescas como o campeonato de futebol amador, provas de ciclismo, como a de 9 de julho em São Paulo; natação, como a Travessia de São Paulo, o campeonato popular de tênis de mesa, de xadrês e outros esportes, sem falar da mais famosa prova de atletismo de rua, a São Silvestre.

    Grandes jornalistas esportivos se formaram nessa “escola”. Começando pelo grande comandante, Carlos Joel Nelli, um ex-atleta; Thomas Mazzoni, que era conhecido como a enciclopédia viva do futebol; Paulo Planet Buarque, que acompanhava o meu tricolor; Solange Bibas, que cobria o Corinthians; Flávio Iazetti, Miguel Munhoz, um grande incentivador do tênis de mesa, Benedito Rui Barbosa, sim, o mesmo das novelas da Globo, Aurélio Belloti e muitos muitos outros. Infelizmente não consegui muitos dados históricos no site da Gazeta mas Milton Neves resgata muito da memória desse jornal no seu site.

    No seu auge, ela teve 72 páginas, muitas delas dedicadas a seção de classificados. Além da cobertura completa de todos os times, principalmente do estado de São Paulo, o futebol varzeano e amador também tinham as suas seções. O interior era destaque no jornal e as notícias vinham de todas as partes, da sua enorme rede de correspondentes. A cobertura dos Jogos Abertos do Interior era tratada como se fosse uma Olimpíada. Até beisebol, praticado somente dentro da colônia japonesa tinha espaço no jornal, sob a responsabilidade de Watanabe, sempre de óculos escuros, com quem mantive contatos nos anos 70 e 80 quando eu era um cartola do tênis de mesa.

    Toda cidade tinha um correspondente. Em Duartina era o Juarez, um bancário que era freguês do bar do meu pai, e que tinha muito orgulho da sua condição de correspondente do maior jornal de esportes do país. Ele também era o agente do jornal e vivia constantemente à cata de novos assinantes.

    Foi através desse jornal que acompanhei as eliminatórias e as Copas de 58 e 62, as vitórias e conquistas de Maria Ester Bueno no tênis, Eder Jofre no boxe, Adhemar Ferreira da Silva no atletismo, do menino prodígio do tênis de mesa, Biriba, o grego Kostolias na luta livre, Abilio Couto, aquele da travessia do Canal da Mancha, Manoel dos Santos na natação e muitos outros ídolos que o jornal criou ou descobriu. Afinal, como dizia um dos seus inúmeros slogans, “se a Gazeta Esportiva não deu, ninguém sabe o que aconteceu”.

    Mas os tempos mudaram. No dia seguinte à vitória na Copa de 70, saíram às bancas mais de 534 mil exemplares da A Gazeta Esportiva. No final dos anos 90, a tiragem era de 15 mil. Fica fácil entender porque o jornal teve que fechar... A sua última edição impressa foi às bancas no dia 19 de novembro de 2001. A sua versão on line continua firme, aqui.

    Hoje em dia, os jornais já chegam velhos às bancas de jornais. Se não se adaptarem aos novos tempos rapidamente, vão acabar extintos como nós os dinossauros...

    E você, também leu algum jornal que não existe mais?


    Na foto, o gaijin4ever lendo A Gazeta Esportiva de 11 de junho de 1962, dia seguinte à vitoria do Brasil sobre a Inglaterra por 3x1, na Copa do Mundo do Chile.

    Esta semana estamos brincando no Playground, e estou colocando praticamente esse mesmo post lá.
    Fale qualquer coisa aqui :
    Segunda-feira, Março 09, 2009

    BEBER FEITO UM GAMBÁ


    ou seria, feito um político?


    No mês passado, o ministro de Finanças do Japão, Shoichi Nakagawa teve que renunciar por se apresentar aparentemente bêbado, sonolento, com dificuldades de fala, numa das reuniões do G7. Com a economia japonesa indo pro brejo, sem perspectiva de uma melhora imediata, o difícil mesmo, é encontrar algum ministro que esteja sóbrio.

    Nakagawa era conhecido por suas bebedeiras mas a sua conduta num palco internacional foi demais. As pressões foram tantas que ele teve que renunciar. Mesmo assim, não entendi direito essa “renúncia”, pois no Japão a bebedeira por parte de executivos e políticos é aceita como um fato normal, corriqueiro.

    Os profissionais nipônicos tem “direito” a beber após o expediente, para continuar os seus negócios ou para relaxar, enfim, beber feito um gambá, apesar de nunca ter visto um gambá mamado - bom, mas aí é uma outra história -, e até mesmo vomitar em público, e voltar de taxi ou estirado no vagão junto com outros bêbados no último trem para casa. No dia seguinte, na empresa, tudo é esquecido, é como se nada tivesse acontecido e o profissional ou o executivo é tratado com a mesma deferência de sempre. É a cultura japonesa. Uma cultura que aceita as fraquezas humanas.



    Não é o mesmo nos Estados Unidos ou no Brasil. Nessa era do politicamente correto, não tem mais lugar para uma música como a Marvada Pinga, daí de cima. A bebida passou a ser um grande vilão. Tudo em excesso é ruim, com exceção de chocolate e sexo, claro.

    Um pouquinho de álcool é até saudável, como os franceses tem nos mostrado há seculos, tomando o seu vinho religiosamente, todos os dias. Estudos recentes tem mostrado que até cerveja faz bem, se tomado com moderação.

    Pegue o seu copo de cerveja ou de vinho (mas não dirija depois) e vamos brindar! Afinal, uma das saídas dessa crise econômica global é consumir! Kanpai! Cheers! Saúde!

    Fale qualquer coisa aqui :
    Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009

    Sessenta e Oito



    O companheiro Marco do Antigas Ternuras, um dos parceiros de brincadeiras no Playground, me indicou muito elegantemente, como é do seu feitio, para participar de um post-corrente. Esse convite foi feito no século passado.

    Entretanto, fiquei sem acesso ao meu computador por mais de uma semana, por uma simples razão: fui raptado por seres extra-terrestres. Sim, numa dessas andanças pelas estradas desertas de Wyoming. Na nave ou seja lá o que era aquilo onde me mantiveram cativo, em sessões de tortura, me obrigaram a ouvir músicas da Britney Spears repetidas vezes, o dia inteiro, noite adentro sem parar. Será que era alguma cela em Guantanamo ?

    Não conseguiram extrair de mim o que eles queriam pois eu cantarolava e dançava ao som das músicas. Todo sorridente e molhado de suor. Desistiram depois de mais uma semana e finalmente, ontem me trouxeram de volta ao planeta Terra. É muito bom estar de volta! Esperava ser recebido de braços abertos pelo pessoal do serviço. Não tinham notado a minha ausência... A mesma coisa aqui em casa... Como é bom sentir que você é querido, não é mesmo ?

    Ah, sim, a corrente! Ela diz o seguinte:

    1- Pegue um livro
    2- Abra na página 161
    3- Localize a quinta frase completa nesta página
    4- Transcreva a frase para o blog
    5- Indique cinco blogueiros para fazerem o post-corrente

    Bom, a primeira coisa que fiz foi largar o livro que estava lendo, The First Counsel de Brad Meltzer, uma porcaria, e principalmente porque não gostaria que vocês soubessm que ando lendo coisas desse tipo. Peguei na estante o último livro em português que tinha lido, questão de umas três semanas, um pouqunho antes da abdução. Sim, porque o item 1 diz “Pegue um livro” não diz que é para abrir o livro que você está lendo... Pois bem, peguei o livro e abri a página 161 e a quinta frase completa acho que é essa aqui, e aqui a conversa muda um pouquinho de tom:

    “Vladimir (o Palmeira, minha nota de esclarecimento) por exemplo, sabe hoje que alguns de seus seguranças na Passeata dos 100 mil eram maldisfarçados agentes”.

    Bom, o livro em questão, é a edição revisada do “1968 – o ano que não terminou” de Zuenir Ventura, 2008 Editora Planeta do Brasil.

    Num país em que a memória não tem nenhuma importância e a ética, pode ser resumida na antiga e ainda vigente Lei do Geron, a de levar vantagem, o trabalho de Zuenir Ventura deveria ser lido por todos. Mesmo que você não dê a mínima para a política. Em 1968, a “juventude se acreditava política e achava que tudo devia se submeter ao político: o amor, o sexo, a cultura, o comportamento.” A ditadura “oficializou” essa postura pois perseguia igualmente os cabeludos, as garotas que se liberavam sexualmente, os artistas, os estudantes e operários, militantes esquerdistas, todos num mesmo balaio. .

    O livro é uma ótima reconstituição de 1968. Zuenir conta muito do Rio, o episódio da morte do estudante Edson Luiz no Calabouço por PMs, a Passeata dos Cem Mil, mas aconteciam coisas semelhantes em São Paulo, milícias direitistas sob o nome CCC - Comando de Caça aos Comunistas espancavam artistas, que participavam de peças como o Roda Viva do Chico, ou a I Feira Paulista de Opinião, esta, encenada no teatro Ruth Escobar, na única forma daqueles radicais se expressarem: violência.

    68 não foi poético como muitos querem ver hoje em dia. Na minha opinião não tinha muito a ver com os movimentos de rebeldia que acontecia no resto do planeta como na Europa e nos Estados Unidos, a não ser a participação maciça dos estudantes. No Brasil a ditadura já estava no poder há quatro anos. 68 foi o ano em que ela recrudesceu, mostrando a sua verdadeira face, impiedosa, violenta e censurando todos os meios de comunicações com o AI-5 no final do ano. Violência e obscurantismo. Não consigo ver nada de poético nisso...

    Bom, o papo está gostoso mas tenho que indicar meus cinco blogueiros para passar isso pra frente. Sem o compromisso de continuar a corrente, vou enviar uma mensagem avisando-os desse post corrente para:
    José Marcos do blog Finalidade;
    Leda de Jack não tá fazendo nada;
    Inês de Vida
    Cláudio Costa de pras cabeças;
    Douglas de Taverna de Ivanhoé.

    Foto da violência policial em1968 foi tirada daqui.
    Fale qualquer coisa aqui :
    Quinta-feira, Janeiro 22, 2009

    Musas japonesas do esporte


    Apesar de ser um dos esportes mais praticados no mundo todo, tênis de mesa sempre teve problemas para atrair público, seja para transmissão de jogos pela tevê, ou entrar na pauta dos noticiários. E não é por falta de idéias ou de esforços dos dirigentes da entidade máxima desse esporte. ITTF (Federação Internacional de Tênis de Mesa, a FIFA do tênis de mesa) mudou as regras durante as últimas décadas para que o esporte ficasse mais digestível. Os sets são de 11 pontos ao invés dos 21 do tempo em que comecei a praticar o esporte, a troca de serviço ou do saque é a cada dois pontos ao invés dos 5 do meu tempo, as bolinhas mudaram de cor e de tamanho, de branco para um alaranjado, um pouquinho maior para que o público pudesse acompanhar o jogo, bastante rápido. Mesmo assim, o tênis de mesa continua sendo ignorado pela grande midia.

    Na semana passada aconteceu o campeonato japonês de tênis de mesa em Tokyo e normalmente, o evento passa despercebido longe do radar do noticiário. Mas surpresa! O torneio ocupou um bom espaço no noticiário esportivo nipônico ao lado do sumô, futebol e tênis. E não foi por causa de quem ganhou o campeonato mas por outros motivos.

    O primeiro motivo foi a idade da mais jovem mesatenista de toda história da competição. Miu Hirano (foto aí da direita) tem apenas oito anos, está no segundo ano do primário e na sua estréia bateu uma estudante colegial. Infelizmente perdeu na segunda rodada para uma outra colegial. E chorou bastante com a derrota. Como acontecia com a Ai Fukuhara conhecida como Ai-tchan, também mesatenista, que teve a honra de ser a porta bandeira da delegação japonesa nas últimas olimpíadas em Peking. Ela era a mais jovem participante do campeonato japonês quando participou do seu primeiro campeonato com apenas 10 anos, em 1998. Virou estrela imediatamente porque era engraçadinha e se emocionava muito chorando muito quando perdia ou estava para perder uma partida. Fez comerciais para tevê e virou um chodó do público japonês.

    Voltando ao campeonato japonês deste ano, o segundo motivo do tênis de mesa estar no noticiário, foi mais uma vez a presença de Naomi Yotsumoto (as primeiras fotos lá em cima) . Ela foi vice-campeã em duplas mistas no campeonato anterior. A presença dela é sempre um assunto para a mídia, desde que ela começou a desenhar os seus próprios uniformes. Ela foi até comparada a Ana Kournikova. Da mesma forma que a tenista, Naomi joga bem, mas não faz parte da elite desse esporte. O máximo que ela conseguiu, no ápice da sua carreira, foi chegar entre as 150 do ranking international. Os seus trajes, às vezes chocantes, que ela troca a cada nova partida, e o seu estilo sempre despertam mais interesse que a sua performance como atleta. No torneio deste ano, a dupla não chegou às finais (ficou entre os 16 primeiros) e ela se contundiu na partida final ficando de fora das individuais, assistindo as finais numa cadeira de rodas.

    A sua beleza e simpatia chamaram a atenção da imprensa, que descobriu que além disso, Naomi era inteligente, criativa e tinha uma boa presença diante das câmeras. A NHK, a tevê estatal japonesa a contratou e ela ganhou o seu próprio programa.

    O tênis de mesa japonês que já foi o melhor do mundo há algumas décadas anda capengando ultimamente mas atletas como Ai Fukuhara, Naomi Yotsumoto e agora, Miu Hirano tem ajudado a arregimentar novos adeptos.

    O tênis de mesa brasileiro poderia tentar duplicar essa fórmula. Hugo Hoyama já passou dos seus melhores anos e o tênis de mesa está na entressafra esperando um novo ídolo. Enquanto isso, estou propondo aqui para os meus amigos Marquinhos Yamada (o maior responsável pela difusão do tênis de mesa no Brasil) e Ricardo Inokuchi, que foi um dos maiores campeões brasileiro e sulamericano, conterrâneo meu de Duartina, para pensarem um pouco sobre o que andei resmungando aqui. Os dois, Marquinhos e o Ricardo, tem filhas, que para felicidade deles, resolveram seguir os passos dos pais e além disso são lindas (na foto aí ao lado, Jessica Yamada, campeã brasileira, sul-americana juvenil). As duas poderiam começar uma revolução no departamento de moda esportiva no Brasil. Se precisarem de um designer, eu indicaria o Guil Macedo, que tenho certeza, ficaria muito contente em participar desse esforço. Acho que vou até mandar um email para esses três e ver se sacudimos um pouco o cenário de mesatenismo brasileiro.

    Acho que está mais do que na hora das meninas do tênis de mesa começarem a se livrarem dos mesmos uniformes sem graça que os meninos usam e mostrar e realçar o seu lado feminino. Que tal uma ou mais musas do tênis de mesa para alegrar os marmanjos? Como diria Vinicius de Morais, que entendia muito de tênis de mesa (está bem, talvez de ping pong...) e também de mulheres, a beleza é fundamental.

    Ah, e os campeões japoneses deste ano foram novamente Jun Mizutani (no masculino) e Sayaka Hirano (feminino).

    Foto da Jéssica Yamada tirado daqui.
    Fale qualquer coisa aqui :
    Quarta-feira, Janeiro 07, 2009

    MIL VENTOS


    Continuando com os meus resmungos sobre o último Kohaku, me surpreendi ouvindo mais uma vez a apresentação do tenor Masafumi Akikawa cantando Mil Ventos (Sen no Kaze ni Natte – Transformando em Mil Ventos). A música e a letra são do cantor e compositor japonês, Man Arai, que traduziu para o japonês um poema muito popular da língua inglesa.

    Esse poema é conhecido como Do Not Stand at My Grave and Weep, cuja autoria, depois de muitas pesquisas e controvérsias, é dada à Mary Elizabeth Frye (1905-2004). Ela escreveu esse poema em Baltimore para consolar uma amiga que perdera a sua mãe e que não se conformava em não poder visitar o seu túmulo na Alemanha. O poema é muito popular, recitado nas homenagens póstumas, impresso em mensagens para confortar perda de entes queridos. Por uma dessas razões que só a internet pode explicar, o poema é atribuído a um indígena americano anônimo. Pô, nem ao menos a identificação da tribo desse índio? Como é que esse pessoal inventa essas coisas com a maior cara de pau e ficam difundindo desinformação sem nenhum respeito?

    Bom, pra falar a verdade, apesar do consenso geral sobre a autoria do poema ser da Mary Frye, ainda existe certa controvérsia, mas isso é lá com eles. Voltemos a falar da música dali de cima.



    A música Sen no Kaze ni Natte foi gravada inicialmente pelo próprio Man Arai em 2003, recebeu diversos covers, mas sem despertar muito interesse. O tenor Masafumi Akikawa lançou o seu em abril de 2006 e chamou atenção do pessoal que faz a escolha dos participantes do Kohaku. Cantou a música no dia 31 de dezembro de 2006 comovendo o país inteiro, que como sabemos é bastante sentimental e dado a venerar os seus ancestrais.

    Por causa do chamado “efeito Kohaku”, a sua música pulou de um dia para o outro para o primeiro lugar na parada de sucessos chegando a vender mais de um milhão de discos. Cantou novamente no ano passado e a música voltou para a parada, dessa vez chegando ao terceiro lugar. Depois de cantar pela terceira vez na semana passada nesse mesmo Kohaku, a música vai continuar vendendo por muito mais tempo.

    A letra traduzida é mais ou menos o que se segue:

    Não chore diante do meu túmulo
    Eu não estou lá, não estou dormindo
    Eu me transformei em mil ventos
    Soprando na imensidão do céu.
    No outono eu sou a luz que banha as plantações
    No inverno sou a neve que brilha como diamantes
    No amanhecer eu sou o pássaro que te desperta
    Ao anoitecer sou a estrela que te protege.
    Não chore diante do meu túmulo
    Eu não estou lá, não estou morto
    Eu me tornei em mil ventos
    Soprando na imensidão do céu.


    No video, Akikawa canta Mil Ventos com a jovem cantora Ayaka Hirahara. Depois Ayaka sozinha, canta Jupiter, prosseguindo na minha campanha para tornar a música "japonesa" mais conhecida (rsrsrsrs)

    Akikawa cantando (com legenda em inglês), aqui.

    Segunda-feira, Janeiro 05, 2009

    Kohaku número 59


    Um dos programas mais tradicionais da tv japonesa acontece na véspera do ano novo. Já teve audiência acima de 80 pontos na década de 60 e hoje anda na faixa dos 40. O programa se chama Kohaku Uta Gassem, mais conhecido como Kohaku (vermelho/branco). É produzido pela NHK, e consiste, conforme o título original, numa batalha musical entre uma equipe vermelha composta por cantoras e grupos femininos e outra equipe, a branca composta por cantores e grupos musicais classificados como masculinos. Participam somente um seleto grupo de convidados, de acordo com um critério meio complicado que inclui popularidade e venda de discos durante o ano. É para os cantores japoneses um dos pontos altos de suas carreiras.

    Tenho visto o Kohaku desde os anos 80, no tempo em que era transmitido no programa da Rosa Miyake. Mudei pros States e acompanhava de uma forma ou outra através de tapes de amigos japoneses depois de semanas ou meses de atraso.

    Este ano foi diferente. Com a assinatura do TV Japan estou acompanhando os noticiários e programas especiais como o tal Kohaku e ao mesmo tempo que estou tentando melhorar o meu pobre domínio da lingua japonesa.

    NHK estava perdendo audiência assustadoramente e para reverter essa tendência mudou a composição dos participantes para incluir um número maior de cantores e grupos jovens para atrair justamente a camada que não está nem aí com esses programas tradicionais. E parece que os esforços da NHK estão dando certo pois este ano, na sua 59ª. versão, o IBOP deles aumentou.



    A versão deste ano teve a participação especial da Enya, do grupo coreano DBSK, teve a Nozomi Oohashi, bonitinha e engraçadinha, de apenas oito aninhos, a mais jovem participante (e talvez a mais desafinada...) de todos os Kohakus, teve também Kazufumi Miyazawa que se apresentou acompanhado de Ganga Zumba e The Boom (cujo show no Brasil em julho perdi por besteira) que homenagearam o centenário da imigração japonesa no Brasil com a música Shimauta e teve também Jero (nome original Jerome), no video acima, um cantor jovem negro americano de Pittsburgh com cara de Will Smith quando novinho, que está fazendo um enorme sucesso no Japão. Jero cantou uma música enka (a música popular tradicional japonesa) com uma pinta de rapper, um negócio esquisito, onde a imagem não batia com o som. Mas ele canta muito bem. Vamos ver se tem fôlego para manter a popularidade e aparecer no final desse ano para 60º Kohaku..

    O programa tem 4 horas e meia de duração e termina um pouco antes da meia noite. O primeiro Kohaku começou em 1951 como um programa de auditório transmitido pela rádio, e dois anos depois começou também a ser televisionado e continua sendo uma das maiores audiências no Japão. A votação popular durante a duração do programa deste ano favoreceu o time branco, que venceu pela 4ª. vez consecutiva.

    Domingo, Dezembro 21, 2008

    super group, shonen knife.


    Vocês notaram que o Japão exporta com muito sucesso carros, produtos tecnológicos, comida, mangá, animê, os cambaus, mas não consegue emplacar a sua música? Nem mesmo a sua pop music ocidentalizada! Com exceções de países asiáticos e outros com uma razoável colônia japonesa como no Brasil e nos Estados Unidos em que a música japonesa é consumida por um pequeno grupo,ela é ignorada pelo resto do mundo.

    Acredito que possa existir familiaridade dos amantes dos videogames com nomes como Hikaru Utada que canta os temas dos jogos do Kingdom Hearts. Mas quem já ouviu falar de Ayumi Hamasaki, mega ídolo japonesa que já vendeu mais de 50 milhões de discos?

    A Sony fez uma enorme campanha de marketing durante a década passada, para tentar vender aqui nos Estados Unidos, a maior sensação japonesa, Seiko Matsuda. Ela tinha colocado 26 músicas consecutivamente no topo da parada pop japonesa durante os anos 80. Um dinheirão jogado fora, as vendas no mercado americano foram medíocres. Ela era engraçadinha, carinha de menina inocente, bonitinha, muito ambiciosa, botaram até pra namorar gaijins famosos – um dos casos acabou num casamento, mas não teve jeito. Matsuda Seiko continuou sendo ignorada fora do Japão.

    Não sei o que deve ser feito para mudar essa tendência ou falta de tendência, mas vou contar um segredinho aqui. Tem um grupo de três garotas japonesas de Osaka que começaram a tocar em 1982 compondo músicas num estilo, que no dizer delas, foi influenciado por grupos como os Ramones. Foram vistas pelo Kurt Cobain (aquele do Nirvana) que se apaixonou loucamente pelo trio. Elas foram convidadas para abrirem seus concertos em turnê pelos Estados Unidos. Depois disso outras bandas famosas começaram a proclamar admiração por esse trio de garotas. O reconhecimento entre esse público nos Estados Unidos ecoou no Japão e o grupo começou a fazer sucesso no mercado interno e a vender mais discos.

    O nome dessa banda é Shonen Knife (ao que parece, uma marca de canivete no Japão), composta inicialmente pelas irmãs Naoko e Atsuko Yamano que se juntaram a uma outra amiga, Mitie Nakatani. O que é que elas tem de diferente?

    Simplicidade, só isso. E bota simplicidade nisso.

    É uma banda alegre, desprentensiosa, que canta em japonês mas também em inglês, com forte e charmoso sotaque japonês, que não melhorou nem um pouquinho em todos estes anos. Elas se apresentam vestidas como se tivessem saído de uma cápsula do tempo, dos anos 70.

    As composições do grupo são bobas, com títulos das músicas que falam de coisas banais como Sushi Bar, Gyoza (uma comida japonesa que veio da China há milhares de anos, como diz a letra da música), Banana Chips e outras comidas, frutas ou vegetais, sobre Banho Público, pontos de ônibus, e, que de uma maneira nada sutil vai mostrando diversas facetas da cultura japonesa em seu som pop-punk.

    Descobri a banda sem querer há uns dez anos, quando Shonen Knife tinha lançado o album Happy Hour. Uma das faixas, um cover do Daydream Believer, que era um original que os The Mokees tinham gravado em 1967 ficou simplesmente fantástico. Foi amor à primeira vista. Melhor que a versão original ou da Anne Murray.



    No mês passado, Shonen Knife lançou o seu 712º. (ou perto disso...) allbum, Super Group e estão num tour promocional pelo Japão. A Naoko é a única remanescente do trio original. A sua irmã Atsuko se retirou da banda depois que se casou e mudou-se para Los Angeles. As outras componentes são Etsuko e Ritsuko, que aparecem na foto ali em cima.

    O meu filho Emo, nos últimos anos de sua adolescência, torce o nariz toda vez que estou ouvindo alguma música do Shonen Knife, mas isso é porque ele, e também, o grande público, ainda não sabem que estão perdendo uma ótima oportunidade de curtir uma das maiores bandas da história musical. Podem conferir! Logo logo, além dos automóveis que estão nos quatro cantos do globo, o Japão vai dominar o mercado musical! MWOAHAHAHA (riso macabro)

    Mais video clips do shonen Knife aqui e letras das músicas, aqui.