Depois que o impopular primeiro ministro japonês Yasuo Fukuda decidiu abruptamente deixar o posto há duas semanas, cinco candidatos do seu partido emergiram para sucedê-lo. O próximo ministro vai ser o 14º. premier num espaço de 20 anos. Até parece Bolívia dos bons tempos!
A novidade agora é que uma mulher está se candidatando pela primeira vez ao mais alto posto político japonês - Yuriko Koike, uma linda senhora de 56 anos. Tem o apoio do ex-ministro pop star Junichiro Koizumi mas não deve conseguir a maioria dos delegados do partido. Koike quer prosseguir as reformas econômicas iniciadas por Koizumi mas com a presente situação econômicva no Japão e no mundo todo, os analistas não vêem chances dos seus planos serem implementados.
Yuriko Koike (foto ao lado), natural de Kobe, tem um currículo muito interessante. Ela se formou em sociologia pela Universidade de Cairo (sim, no Egito!), influenciada por seu pai, um comerciante de sucesso, que não conseguiu o mesmo no campo político. Foi uma âncora de tevê muito popular, fala o árabe e o inglês fluentemente, foi Ministra do Meio Ambiente e a primeira mulher a ocupar o posto de Ministra da Defesa embora por um curto período. Koike é uma camaleoa política mudando de partido de acordo com os ventos favoráveis do momento. Está em seu quinto partido desde que se iniciou na carreira pública em 1993 o que mostra as suas habilidades de uma ambiciosa política. Casou-se jovem e divorciou-se quase em seguida. Autora de diversos livros alguns com títulos estranhos como “Subindo a Pirâmide num Kimono” e outros como “Árabe em 3 dias”.
Nas suas duas passagens como Ministra, Koike nunca se entusiasmou ou se preocupou em utilizar o seu cargo para promover mudanças na posição da mulher na sociedade machista japonesa. Afinal uma agenda feminista continua sem receptividade no atual meio político japonês dominado pelos homens....
As eleições gerais para sacramentar o novo ministro só vai ocorrer no ano que vem, mas na verdade, o próximo dia 22 de setembro é que vai valer mesmo. Nessa data vai ser eleito o representante do LDP (Partido Liberal Democrático) que tem completo controle do parlamento. Aquele que for eleito no LDP na próxima semana é virtualmente o próximo primeiro ministro, que vai em seguida começar os conchavos para compor o seu governo. O amplo favorito é o conservador, Ministro das Relações Exteriores Taro Aso, 67, (foto ao lado) em sua quarta tentativa ao posto de premier.
Ah, eu gostaria de ver uma mulher à frente do governo japonês!
Primeiro, porque seria uma boa sacudida no cenário político no país do sol nascente;
segundo, no caso da Yuriko Koike, seria bom para os nossos olhos, uma bela mudança estética, a de ver uma jovem senhora atraente no noticiário, ao invés dos horríveis Koizumi, Fukuda ou do Aso, que para infelicidade geral da grande comunidade dos homens japoneses (e descendentes, onde me incluo...) fizeram um grande desserviço manchando a nossa imagem de moderno samurai japonês;
terceiro motivo, a eleição de Aso, seria uma embaraço para o povo japonês, pois como o seu nome deve ser pronunciado (Assô), pode ser facilmente confundido com um palavrão em inglês, o popularíssimo ass hole.
Portanto, fica aqui a minha recomendação ao inteligente (!?) parlamento japonês: PARA PRIMEIRA MINISTRA, VOTE EM YURIKO KOIKE!
O Rotary Clube foi a primeira organização prestadora de serviços. Ela foi criada na cidade de Chicago em 1905; O seu lema Dar de Si antes de Pensar em Si, representa bem a missão dessa entidade. Tem mais de um milhão de membros voluntários espalhados por todo o planeta. E claro, tem um em Duartina, que é presidido pela minha amiga Leila, esposa do amigão de infância Leonel. Pois um dia desses fui parar no site do Rotary Duartina por causa de umas fotos do centenário da imigração japonesa e quando ia saindo devagarinho, depois de ver os trabalhos que essa entidade tem feito na região, fiquei surpreso que existe um link lá, para esse aqui, pro gaijin4ever!!!
Espero que a Leila e o Leonel saibam o que estão fazendo, pois eu não sei... Em todo o caso, obrigado pela gentileza e um grande abraço para o casal Carvalho!
Na foto (copiada do site do Rotary de Duartina), a presidente Leila, o primeiro-marido Leonel, o filho Luiz Claudio, a nora Silbeni, o genro Leonardo e a filha Ana Paula.
Estatização nos Estados Unidos!
e não estamos falando do Chavez ou Morales.
A administração Bush resolveu finalmente intervir nos dois monstros do crédito imobiliário americano, conhecidos como Fannie Mae (FNMA - Federal National Mortgage Association) e Freddie Mac (FHMC - Federal Home Mortgage Corporation).
A quebra dessas entidades, que são responsáveis por empréstimos que totalizam mais de 5 trlhões de dólares, iria provocar um tsunami global na economia dos países de todo o planeta. Essa quebra poderia paralisar tudo, pois sem crédito nada se faz no mundo hoje. Esse valor é maior que o débito de qualquer outro país, com exceção é claro, dos Estados Unidos. Grande Depressão seria fichinha comparado com o que poderia acontecer. Países como China, Japão e até a Rússia, tem em mãos uma boa parte de títulos dessas duas entidades financeiras como investidores e tinham começado a diminuir drasticamente os seus investimentos, ou seja reduzindo crédito para o pessoal que querem financiar seus imóveis.
O governo Bush vai injetar até 200 bilhões de dólares, que os analistas acreditam deverá estar mais perto dos 25 bilhões. Mas vocês conhecem os analistas, eles quase nunca acertam... portanto não se assustem daqui a uns 10 anos se o governo tiver gasto o dobro. Pensando bem, bota aí, dez vezes mais do que o valor inicial. Afinal, estamos falando dos Estados Unidos...
Essa intervenção acaba de vez com o conceito da política econômica neo-liberal do capitalismo americano baseada em privatização, liberalização e desregulamentação. Agora o jogo ficou claro, defende-se a privatização dos lucros e a estatização dos prejuízos!
Fala-se que a intervenção é temporária e quando essas entidades consigam caminhar por si vão ser privatizadas de novo. Será que o dinheiro público que o contribuinte americano vai desembolsar agora nesse momento de crise, vai voltar aos seus bolsos no futuro? Acho que eu e você já conhecemos o fim dessa história...
Os responsáveis atuais por essas entidades vão ser substituídos por Herb Allison, antigo vice-presidente da Merrill Lynch, que vai ser o número um da Fannie Mae e por David Moffet, que era o vice-presidente do US Bancorp para ser o CEO do Fredie Mac.
E qual foi a penalidade para os atuais CEO dessas entidades pela desastrosa administração, que provocaram a crise do mercado das hipotecas de alto risco (conhecido como subprime) e não souberam reagir a tempo para controlá-la? Bom, não sei vocês, mas cheguei a chorar de pena dos dois. Segundo o New York Times, Daniel H. Mudd (Fannie Mae) saiu da entidade com a irrisória soma de 9,3 milhões de dólares ao passo que Richard Syron foi para casa chorando com apenas 14.1 milhões de dólares. Coitadinhos...
Aqui, no site do bbc tem uma boa explicação como funcionam essas duas gigantes e porque entraram pelos tubos.
Somente em Inglês, Please ou
The book is over the table
As golfistas profissionais que são membros da LPGA (Ladies Professional Golf Association) vão ser obrigadas a terem fluência em inglês a partir do próximo ano. As que não conseguirem provar fluência serão barradas dos eventos patrocinados pela entidade. Não sei se isso chegou a ser notícia no Brasil. Não vi nenhuma reação indignada por parte da grande mídia.
A LPGA tem entre os seus membros, 121 golfistas internacionais representando 26 países diferentes. Ultimamente a maioria dos torneios dessa entidade tem sido dominada justamente por essas atletas internacionais - elas paparam19 títulos dos 24 eventos neste ano, principalmente a mexicana Lorena Ochoa que venceu 6 desses torneios. Há entre elas, 45 golfistas sul-coreanas e outras orientais americanas como a jovem Michele Wie, da foto aí do lado.
A explicação dada pela Comissária Bivens (a Presidenta da associação), no último dia 2 de setembro, é que LPGA depende muito de torneios que são patrocinados por grandes corporações e que ao contrário de outros esportes, as golfistas tem a função de entreter os patrocinadores, o público e além disso tem que dar entrevistas e para isso é preciso ter fluência em inglês. Ou seja, dane-se as suas aptidões como atleta.
Num momento em que as barreiras internacionais deveriam estar sendo derrubadas, vem uma entidade com mostras de uma xenofobia intolerante com essa babaquice descomunal que só vem a reforçar a imagem dos Estados Unidos como um país unilateral, monocultural e arrogante. Ficaria até mais elegante restringir o número de estrangeiros na associação do que tentar utilizar de subterfúgios para que mais americanas pudessem ter mais chances. Infelizmente, mais uma amostra do declínio dos valores americanos. Poderiam criar um programa para incentivar a prática desse esporte como aconteceu na Coréia do Sul e ao invés disso ficam inventando essa palhaçada! Já pensaram se o mesmo ocorrer com o PGA (o equivalente masculino) ou com NBA (basquetebol), MLB (beisebol)?
Recentemente, Choi, um golfista coreano, que por sinal, fala bem o inglês, foi entrevistadao por um repórter americano que queria encerrar a entrevista com um “obrigado” em coreano, mas se desculpou dizendo que tinha esquecido a palavra. Choi comentou sorrindo com o seu técnico, que tinha ensinado uma simples palavra a esse repórter há alguns anos e até agora ele não tinha aprendido. “E eles querem que a gente aprenda tudo de inglês?”
E se de fato a LPGA tem a preocupação de entreter, eu poderia até sugerir que as golfistas aprendessem malabarismos, mágicas, cantar ou dançar... That´s entertainment! E que tal obrigar as atletas americanas a vencerem mais torneios?
Depois que escrevi o texto acima fui checar o site da LPGA e o que vejo lá?
Um comunicado escrito hoje, da mesma Comissária Bivens, suspendendo as penalidades referentes à “politica de comunicação efetiva”, depois de ter recebido diversos comentários a respeito dessa norma.
Nenhum pedido de desculpa, mas sim a promessa de reestudar o assunto e de um comunicado no futuro. Incrível. Vou ficar muito surpreso se ela continuar no posto.
Ora, pensem bem, se essas profissionais querem se dar bem no circuito da LPGA, elas vão por conta própria aprender o inglês sem ninguém precisar de obrigar ou penalizar aquelas que não mostrarem proficiência. Exatamente como acontece com qualquer profissional ou executivo estrangeiro que quer se dar bem aqui nos Estados Unidos.
De 25 a 28 de agosto, Denver vai ser o palco da Convenção Nacional do Partido Democrata. Tentei marcar hotel para a segunda-feira, dia 25 e não há vagas em nenhum hotel. Os hotéizinhos mais simples onde ainda existiam vagas, estavam cobrando uma diária de 250 a 300 dólares! Resolvi fazer uma reserva em Fort Collins, a uma hora de Denver. Ali os preços continuam os mesmos de sempre.
Muitas celebridades que apóiam o candidato Obama vão desfilar pelos diversos locais populares da cidade mas principalmente nos dois principais palcos dessa festa política: o ginásio do Pepsi Center, capacidade de 18 a 20 mil pessoas, e o estádio Invesco Field, que é onde joga o time de futebol americano do Denver Broncos, e que tem capacidade para mais de 75 mil pessoas. Pela primeira vez na história das convenções, um candidato vai aceitar a nomeação fora do recinto fechado de um centro de convenções ou de um ginásio de esportes. O local escolhido foi esse estádio moderno, que vai estar lotado no último evento dessa festança, o discurso de aceitação da candidatura. Um lugar ideal para um orador que levanta as massas em seus discursos.
Essa convenção é uma tradição americana, apenas uma formalidade para o candidato Obama aceitar formalmente a sua nomeação para concorrer às eleições gerais que vão ser realizadas em novembro e possivelmente se tornar o primeiro presidente negro do país. Mais de 60 mil pessoas vão estar em Denver nesse período, jorrando uma dinheirama na cidade. Na semana seguinte vai ser a vez dos republicanos realizar a sua convenção em St. Paul, no estado de Minnesotta..
A escolha do senador Joe Biden, do estado de Delaware, para ser o vice foi uma boa decisão e fortalece Obama numa área em que o eleitorado ignorante acha ser o seu ponto fraco: as relações internacionais. Não vou discutir isso aqui. Vou só lembrar que a capacidade de Obama e sua equipe de levantar fundos e de atingir o eleitorado jovem é incrível e o seu oponente McCain não chega aos seus pés nessa área. Entretanto, o voto popular é apenas um pequeno componente do complicado processo eleitoral americano. À medida que a data das eleições se aproximar, Obama deverá inundar os meios de comunicação com ataques frontais aos pontos fracos de McCain. Só vai perder as eleições se a máquina do partido democrata bobear nas fiscalizações das urnas nos estados chaves como aconteceu nas eleições anteriores.
Enquanto dirigia pro meu trabalho ante-ontem ouvi um programa especial chamado Brasil Rising, numa emissora da rede NPR (National Public Radio) daqui de Casper. Um retrato do Brasil que muita gente aqui no exterior desconhece e que muita gente no nosso próprio Brasil infelizmente prefere ignorar ou não enxergar.
O programa, apresentado por David Brown, um jornalista veterano, diz que além do crescimento vertiginoso da China e Índia, existe um outro país abaixo da linha do equador que está crescendo e merece atenção. O texto integral do programa está aqui. Infelizmente está em inglês. O programa foi muitíssimo interessante. Mostra que além da imagem tradicional do país do carnaval, praias, mulatas, samba, Brasill está se tornando uma das peças importantes na economia global, pioneiro na utilização da bio-energia num rápido caminho em direção da auto-suficiência. Será que o país vai conseguir uma solução para enfrentar a pobreza e a onda de violência ?
O programa todo durou quase uma hora. Só ouvi por vinte minutos e o resto fui ler no link lá de trás. Não vai demorar muito, outros órgãos da imprensa americana, vão “descobrir” esse novo Brasil também.
Um sinal claro de que as férias de verão estão chegando ao fim aqui nos Estados Unidos é a realização da State Fair. Acontece em todos os estados americanos, geralmente no final do mês de agosto, ou logo antes do início das aulas nos colégios. É uma tradição americana de longa data. Tem até alguns filmes sobre o evento, como um que vi em 1962 e que tinha Pat Boone e Pamela Tiffin no papel dos filhos de um fazendeiro que vão a uma feira estadual em Iowa. Nesse filme ainda apareciam Bobby Darin e Ann Margret.
Aqui em Wyoming, a Feira deste ano terminou no último domingo. É realizada todos os anos na cidadezinha de Douglas, que fica a menos de uma hora daqui de Casper. É uma espécie de feira agropecuária para os fazendeiros e a população do estado trazerem os seus produtos e animais para ver quem é o bam bam na sua área. As donas de casa tem também oportunidade para exibirem os seus dotes culinários ou artísticos, trazendo os seus bolos, tortas, colchas de retalhos, crochês e outros trabalhos manuais.
Um parque de diversões é um ingrediente indispensável nessas feiras, além dos rodeios, shows de cantores, que são invariavelmente cantores de country music, a música caipira norte americana. Tem também uma competição para a escolha da miss da Feira, mas infelizmente (ou felizmente, no caso de algumas candidatas) não tem desfile de maiôs. Em Douglas teve também o Demolition Derby, onde os carros batem um no outro para ver quem vai ser o último a ter o seu carro em frangalhos e conseguir sair andando ou arrastando. Um sucesso entre a população de Wyoming.
Quando morávamos em Maryland, essas feiras me interessavam porque eu queria ver o que os fazendeiros e as suas famílias vinham exibir e batia o ponto todos os anos. E aproveitava para brincar em algumas das atrações do parque de diversões. Hoje em dia, essas atrações são mais modernas mas mais amedrontadoras e não me atraem mais...
A Feira de Douglas é bem menor mas é muito interessante pois junto ao local tem um museu dedicado aos pioneiros do estado, muito educativo e também por causa da comida de algumas barracas que oferecem comidas típicas que as família de imigrantes europeus trouxeram no século passado.
As aulas nas escolas primárias e secundárias começaram. Sinal definitivo que o verão chegou ao fim, apesar do calor. Os universitários, como é o caso do Emerson, que é calouro no Casper College, só vão para as aulas na próxima semana. O Emo vai fazer Artes Visuais e foi aceito no Honors Program do Veritas Institute. Espero que ele mostre um pouco mais de interesse pelos estudos do que nos seus anos de colegial...
John é um dos amigos da gente aqui em Casper. Está aposentado temporariamente depois de vender o seu restaurante e um pequeno hotel onde a Ruth trabalha. Voltou de uma viagem de turismo que ele fez pro Alaska, todo entusiasmado e trouxe um monte de livretos e lembrancinhas para convencer a gente a ir prá lá um dia desses. Bom, querer ir, a gente quer, mas cadê o “tempo” ?.
E o que fazer para criar essa conexão com o maior estado americano sem gastar muito “tempo”? Fiz o seguinte: passei num liquor store e procurei por uma cerveja made in Alaska. Encontrei algumas da Alaskan Brewing, uma cervejaria de Juneau e acabei trazendo um six-pack da Alaskan Amber. Uma bela surpresa. A cerveja desce muito bem, de cor meio avermelhada. É classificada como uma amber alt. O alt vem do alemão e significa velho, uma referência ao tempo mais longo que essa cerveja leva para fermentar a uma temperatura mais baixa do que a maioria das Ales. Essa fermentação lenta deve ser a responsável pela descida gostosa, com leve sabor de malte adocicado. Tomei a Alaskan Amber acompanhada de um salmão defumado (que o John nos trouxe de Alaska...), vendo um programa de tv de Anchorage no computador. Uma viagem a Alaska, sem sair de casa.
Na opinião desse gaijin, que não entende nada de cerveja, mas gosta de experimentar o que existe por aí, a Alaskan Amber bem que poderia ser aquela cerveja do dia a dia, simples, baratinha e sem ser demasiadamente “aguada” . Um salto na qualidade e de fácil transição para quem como eu cresceu e envelheceu com Antárticas, Brahmas, Budweisers ou Coors, as lagers que todos nós bebemos.
Estou saindo pra comprar mais pois aquelas já eram.
Içá, Japurá, Negro, Jamundá, Trombetas, Jari ; Javari, Juruá, Purus, Madeira, Tapajós e Xingu. Estes são alguns dos afluentes do rio Amazonas que a Dona Aparecida, a nossa professora do quarto ano primário botou para sempre na minha e na cabeça de todos que passaram pela sua sala de aula no Grupo Escolar Teodósio Lopes Pedroso, Duartina no final dos anos 50. E ali estava o Nuno, há duas semanas, recitando pra gente no Barracão em Duartina, no meio de uma rodada de cerveja, relembrando também de todos os nomes dos alunos e os respectivos números na lista de chamada. Não sei agora, mas naqueles dias, a professora dizia o nome um por um e os alunos respondiam: presente! quando o seu nome era citado. Eu era o número 9 e o Jaime Petit era 10, ainda segundo o Nuno. Muito mais gente se juntou a nós no fim de semana em que estivemos em Duartina para celebrar o Centenário da Imigração Japonesa, incluindo aí os meus primos Aquio que vive em Nova York e Coitiro que toca a sua indústria textil em Sergipe.
No dia 12 de julho, foi inaugurada a Praça dos 100 Anos da Imigração Japonesa, localizada no final da Avenida Ecoparque Ciro Simão. O marco da praça é um monumento dos 100 anos de imigração, desenhada pelo artista plástico Edson Jampietro. Não, acho que ele não é japonês nem parece ter um tico de sangue japonês. O resultado foi um trabalho simples e bonito. Parece até coisa de japonês...
Depois disso fomos para uma recepção na sede do Duartina Tênis Clube dada pela Prefeitura com ajuda da colônia japonesa e do Rotary Clube. Nem prestei muita atenção na farta comida, que incluiu makisushis e outras iguarias japonesas entretido que estava em reconhecer os velhos amigos, que não os via desde que saí da terrinha.
A comissão organizadora homenageou alguns japoneses que fizeram parte da história da presença japonesa em Duartina, entre eles o meu tio Kotaro Takahashi que está com quase 90 anos e continua forte como um touro. Imagine que há dois meses ele participou da caminhada do Centenário de Santos a São Paulo! Eu me cansaria e desistiria rapidinho e nem conseguiria sair de Santos... Outros homenageados foram Hideo Tanaka (que era sócio do meu pai), Massao Yanagiwara e Noriko Inokuchi, mãe do meu amigo Ricardo e irmã do Shiguerão.
Mais tarde, fomos para um encontro mais íntimo no restaurante do Pesqueiro tentando botar o papo em dia e ouvindo músicas comandados pelo Nivaldo e Clemente. À noitinha, a continuação dos papos no Barracão, que mencionei acima. Essa choperia fica ao lado do antigo Comercial União, um armazém de secos e molhados em que meu pai era sócio, hoje uma agência do Santander. Um dia de muitas emoções que trouxe doces lembranças!
Mais do que a celebração dos 100 anos de imigração, o reencontro com os amigos e parentes me tocou mais fundo. Fizemos uma enorme colcha, juntando retalhos de lembranças de um e outro, conversamos e rimos muito. E para melhorar tudo isso, o Paulo Cesar Andreo fez um enorme trabalho de compilação de imagens antigas e recentes dos amigos e da cidade e botou tudo em dois dvds. Ganhei uma cópia que trouxe e está guardado aqui em casa. Um verdadeiro arquivo histórico da cidade.
Alguém aí viu o filme “Quebrando a Banca” (21) ? Aquele sobre um grupo de jovens que estouram a banca em Las Vegas? Algumas organizações daqui, como a MANAA – Media Action Network for Asian Americans, que se dedica ao monitoramento da mídia, para garantir um retrato sensitivo, positivo e equilibrado dos orientais americanos, ficaram uma fera. A razão disso? A utillização de atores caucasianos nos lugares dos orientais. O livro Bringing Down the House, de Ben Mezrich se baseou num grupo de estudantes do MIT, composto na sua maioria de orientais, que foram treinados para, em conjunto ganharem muito dinheiro jogando Black Jack ou 21.
Confesso que gostaria de ver uma indústria cinematográfica mais aberta, mais em sintonia com as diversas culturas em busca de uma harmonia global. E se por um milagre, isso fosse acontecer, seria a falência de Hollywwod, claro.
Os filmes são feitos para atender o grande mercado norteamericano, nivelado por baixo, e bota baixo nisso. Filmes europeus e orientais tem a sua versão americana pois o americano evita os filmes que são legendados (leia-se aí, porque são analfabetos). Filmes como Cousin, Cousine (Cousins), Trois hommes et un couffin (Three Men and a Baby), Nikita (Point of No Return), Spoorloos (The Vanishing), Ringu (The Ring), Kairo (The Pulse), Ju On (The Grudge) e um monte de etc foram refeitos especialmente para a lobotomizada audiência americana.
Pelo simples fato dos atores não falarem inglês ou não serem brancos, os filmes ganham o rótulo de filme artístico, ou foreign movie, o que significa que vão ficar restritos ao circuito de filmes de artes, que não geram dim dim, fora de alcance do grande mercado. Daí a razão de substituirem os orientais por faces de atores brancos que falem o inglês americano, sem necessidade de legendas ou de dublagem..
Entretanto tem um nicho que os orientais tomaram conta, o dos filmes de artes marciais, na onda dos sucessos de Bruce Lee na década de 70. Jet Li , Jackie Chan, Chow Yun Fat tem uma enorme audiência. E não adianta botar atores americanos para encabeçar esse gênero de filmes que não emplaca. Acontece exatamente o contrário do que disse antes. Filme de artes marciais tem que ter orientais. E quanto mais fantasioso e mentirosos, melhor.
Quanto aos filmes como “Quebrando a Banca” (21) Hollywood não quer saber de apostas. Hollywood joga com cartas marcadas. Jim Sturgess foi escolhido para fazer o papel baseado no Jeff Ma (um americano de origem chinesa). Ele é inglês de Londres. É aquele mesmo que fez o papel principal do bonito filme Across the Universe, somente com músicas dos Beatles. Como ele não é americano, apesar de ser branco, teve que ter um dialect coach, um especialista que o ensinou a falar inglês americano durante as filmagens.
Imagine um filme como “21” com um monte de coreanos, chineses, japoneses. Quem iria ao cinema? E tenho certeza que essas organizações como MANAA dessa vez, iriam reclamar que o cinema americano estaria eternizando os estereotipos sobre os orientais retratando-os como quadrados, estudiosos, gênios em matemática etc etc.
E quer saber de uma coisa, se a Sony, uma empresa japonesa que é dona da Columbia Pictures que realizou o filme, não está nem aí com esse tipo de problemas, só podemos reclamar mesmo é pro bispo!
Na foto, Jeff Ma e Jim Sturgess. Notaram a extrema semelhança?
Tico tico no fubá, que foi composta por Zequinha de Abreu, em 1917, na interpretação dessa menininha oriental. Ela bem que poderia ser japonesa, vamos fazer de conta que é, mas os traços são mais chineses – se eu conseguir descobrir o nome dela eu atualizo isso daqui. Ou quem souber, por favor bote aí nos comentários.
Li o convite pra fazer uma lista aí do título, num post da Mimi no mês passado e comecei a pensar, pensar, mas acabei deixando de lado como muitas outras coisas, como sempre. E hoje, quando decidi sair um pouquinho do meu marasmo permanente, percebi que estava desaparecido daqui e sem escrever há algum tempo, e aí me lembrei da lista e resolvi retomar o desafio. O convite era pra fazer uma lista de oito coisas que eu gostaria de fazer antes de partir pro andar de cima, que Mimi, por sua vez tinha recebido do Marco. Na verdade, estou relativamente satisfeito com o pouco que tenho mas aí a lista ficaria em branco! Então vamos fazer o seguinte: vamos supor que a frase inicial sofresse uma pequena modificação e ficasse assim: 8 coisas pra fazer antes de morrer, se eu ganhar na loteria ou receber uma grande herança e se fosse 30 anos mais jovem. Sem mais delongas, vamos lá:
1. Conhecer e caminhar pelas ruas de Hiroshima (foto ao lado), Yamagata e Okinawa no Japão. Tókyo também, mas não faço questão, pra falar verdade.
3. E na volta, conhecer a Grande Muralha da China e andar ali no murinho, de ponta a ponta.
4. Viajar por todos os estados do Brasil.
5. Viajar num trailer por todos os estados dos Estados Unidos.
6. Ver as crianças formadas, casadas e ajeitadas na vida.
7. Aprender a não dizer sim quando gostaria de dizer não e a dizer sim, sem medo quando as oportunidades surgirem
8. Refazer esssa lista com coisas realizáveis.
Agora, ninguém precisa ficar preocupado pois não vou passar adiante essa tarefa, que não é do meu feitio, mas assim mesmo, fica um convite aberto a todas as três pessoas que passarem por aqui e tiveram a paciência de ler este post, para que façam a sua lista nos comentários, ou mesmo nos seus blogues.
Aocupação de japoneses no Estado de São Paulo fica mais fácil de ser entendida se você conhecer os traçados das estradas de ferro que cortavam o estado. Os primeiros trabalhadores contratados acompanharam as fazendas de café da Mogiana (Mogi, Ribeirão Preto) e depois as da velha Paulista (Araraquara). Depois disso na Sorocabana (Avaré, Ourinhos, Presidentes Venceslau e Prudente) e Noroeste (Bauru, Lins, Araçatuba), onde diversos núcleos se formaram nas plantações de algodão, inicialmente e mais tarde, de café. Na região de Alta Paulista foram onde os japoneses se mudaram para se tornarem os primeiros sitiantes independentes.
Na década de 40 os patrícios começavam a se mudar timidamente dos sitios e fazendas para as cidades. Esse movimento estava se intensificando no início dos 50. Apesar de Duartina não ser conhecida pelo grande número de japoneses, dois dos maiores armazéns de secos e molhados pertenciam à família Murakami e à sociedade Waki & Miki. Os Nogamis tinham uma farmácia, a família Koga, uma tinturaria (claro!), os fotógrafos (claro, claro!) da cidade eram seu Chico, japonês apesar do nome, um dos primeiros a casar com uma brasileira, e o outro, era Honda. O meu pai e meu tio tocavam um bar cada. A família Suguio e Mizumoto (este aqui tinha o melhor sorvete de côco queimado do planeta!) também tinham seus bares. Hirao tinha um bazar em que eu comprei os primeiros discos. A quitanda era dos pais do meu amigo Rubens Ikeda, a doceria, dos pais do Katim. Eu comprava Conga na Casa Nakano. A padaria que fazia o melhor pão francês e pão doce do interior não era de portugueses mas da família do meu amigo Shigueru Kawai.
Na região ainda haviam uma fazenda da propriedade da família Tanaka e inúmeros pequenos sitiantes. Nos arredores da cidade, surgia um fragmento de cinturão verde com as famílias Kassa e Nobemassa plantando e vendendo verduras. Não me lembro de todos mas dá pra ter uma idéia dessa pequena invasão japonesa, certo?
Todas essas famílias e outras que chegaram mais tarde foram recebidas de braços abertos e trabalharam juntos com o povo da cidade para criar uma comunidade melhor para os filhos. Na comemoração do cinquentenário da imigração em 1958, esse grupo que formava a primeira geração (os isseis) decidiu retribuir a generosa acolhida doando uma fonte luminosa à cidade. E a colocaram no centro da praça da Matriz, bagunçando o coreto, ou melhor dizendo, no lugar do coreto, que estava lá sossegadinho antes mesmo da existência da praça. A praça e o jardim,um conjunto que era o orgulho da cidade ficou mais bonito ainda.
Lembro pouca coisa sobre o processo todo, mas acredito que tenha sido algo que requereu muitas idas e vindas entre a comunidade japonesa e a administração da cidade, para conseguir que o plano de construção da fonte fosse aprovado. Vendo hoje, acredito que meu pai deva ter pensado nisso com antecedência, pois ele tinha pedido no ano anterior para que o prefeito da cidade fosse o padrinho de batismo do meu irmão mais novo, recém nascido. Entre compadres, acredito que os planos fluiram com mais facilidade. Meu pai cultivava essas amizades com os “gaijins” com naturalidade e gente como ele foi importante, servindo de ponte entre a comunidade japonesa e a não japonesa.
Deve ter sido um trabalhão arrecadar os fundos para a construção da Fonte. Todas as famílias japonesas da cidade e da redondeza ajudaram. Todos os contribuintes ganharam uma plaquinha de madeira com os seus nomes, que ficaram expostas nas paredes dos salões do clube japonês, o kaikan (sede da associação).
A integração que existe hoje deve muito ao trabalho dos isseis e modéstia à parte, dos nisseis também. Toda essa comemoração do centenário da imigração japonesa no Brasil que estão pipocando por aí e que você já deve estar com o picuá cheio, vale por isso. Vocês não sabem o orgulho e o privilégio de ter genes japonês e ter crescido em meio da alegria, criatividade e malandragem brasileira. Eis aí, mais um motivo para comemorar e bebemorar!
PS: No próximo mês de julho a cidade vai comemorar o centenário e vou ter a oportunidade de participar. É um momento único, pois não é todo ano que se comemora um centenário e ainda mais com os planos de um encontro de velhos amigos duartinenses espalhados pelo mundo, que o Leonel, Paulo Cesar, Shigueru, Clemente, Saito e outros estão preparando. Isso não tem preço!!!
Foto de cima - placa da Fonte Luminosa
Foto de baixo - Parte da comissão organizadora com o Prefeito (meu tio Kotaro, sr. Tanaka, Prefeito Pupo, meu pai, sr. Murakami, sr. Miki e sr. Inokuti)
1958 foi o ano em que o Brasil se sagrou campeão mundial de futebol pela primeira vez. Foi também naquele mesmo ano, que a Adalgisa Colombo, a miss Brasil, quase consegue ser a miss Universo. O título escapou, mas não foi por polegada a menos ou a mais, as suas medidas eram perfeitas, o sorriso mais lindo entre todas as misses, o que faltou mesmo, foi um pouquinho de lobby, que ainda não era o nosso forte. Mas o povo estava contente assim mesmo, afinal era um vice campeonato. A criançada brincava de bambolê, enquanto que nas rádios começávamos a ouvir uma coisa chamada bossa nova e na Inglaterra, Maria Esther Bueno ganhava o torneio de Wimbledon. O otimismo tomava conta do país. Foi um ano que não devia terminar, como diria o título do livro escrito pelo jornalista Joaquim Ferreira dos Santos.
Comemorávamos também o cinquentenário da imigração japonesa ao Brasil. O Japão recobrava-se rapidamente dos escombros da guerra com a ajuda dos americanos. Recebíamos a primeira visita de um membro da família imperial, o Prícipe Mikasa, irmão do imperador Hirohito. O príncipe visitou diversas cidades do interior de São Paulo e do Paraná, mas não parou por um minuto sequer em Duartina.
A equipe de beisebol da Universidade de Waseda, também visitou o país, inaugurando estádios de beisebol por onde passava, inclusive o de Bom Retiro em São Paulo, que hoje se chama Estádio Municipal de Beisebol Mie Nishi. Essa equipe de estudantes também ignorou Duartina, afinal não teria com quem jogar e nem sequer tínhamos um estádio. E se houvesse esse tal jogo, inventado por americanos e bastante popular entre os imigrantes japoneses, duvido que alguém fosse entender. Então, niguém ficou triste, pelo que sei. A equipe de Waseda jogou com uma seleção regional aplicando uma surra histórica, no Estádio Fragata em Marília, que como sabemos, é praticamente uma parte de Duartina. Em sua passagem pelo país, os japoneses fizeram 372 carreiras contra somente 5 das diversas equipes brasileiras que enfrentaram os universitários.
Houve também um desfile dos estudantes duartinenses pelas ruas principais da cidade, com a participação de diversos carros alegóricos. Marchei com os meus colegas do ginásio e depois saí correndo para subir num desses caminhões que tinham uns bonecos representando agricultores com enxada na mão, chapéus de palha no meio de um milharal ou coisa parecida.
E à noite, no Kaikan, o clube japonês, teve um enguei-kai. O enguei-kai é uma apresentação de danças, músicas e pequenos sketches cômicos ou até coisas mais sérias. A cortina do palco do kaikan se abria para cada nova apresentação com batidas de toc-toc-toc, vindo de dois toquinhos de madeira que alguém escondido ali atrás das vistas do público, ficava batendo enquanto a cortina se abria. O mestre de cerimônia, ou o apresentador foi o Gilberto Alonso, que mais tarde seria o prefeito da cidade. Houve ensaios e mais ensaios com a participação de todos da comunidade, e muitas das pessoas que conhecia no dia a dia, me surpreenderam com as suas habilidades artísticas que eu nunca suspeitava que tivessem.
No mês de junho, a Copa do Mundo na Suécia estava em pleno andamento. Os japoneses duartinenses resolveram que futebol seria melhor do que jogar beisebol como uma forma de celebrar o cinquentenário. Assim, depois de tudo planejado, o Estádio Municipal Theófilo Cordovil foi o palco de duas grandes partidas em meados do mês de julho. Na partida principal jogaram os moços (os seinens) contra rapazes que faziam o ginasial e o colegial, e na preliminar, a equipe Infantil, de que fiz parte, contra os Veteranos, os nossos velhos. Foi a primeira vez que nós, acostumados a jogar nas ruas de terra ou no máximo, no campinho do Cascão, pisamos num campo de verdade. Também, foi a primeira vez que os velhos jogaram bola, mas acho que eles andavam treinando secretamente am algum lugar na cidade. O embate foi bastante emocionante e terminamos ganhando dos velhos por 4x2. Ninguém dali virou um jogador profissional, apesar do talento de alguns. O Duartina F.C. bem que poderia usar alguns desses brasileiros de olhos puxados, para reforçar o valoroso onze tricolor e subir para a segundona.
Essas foram algumas coisas que aconteceram em 1958 comemorando os cinquenta anos da chegada dos japoneses ao país do futebol e do carnaval. Os japoneses já conformados de que o sonho de regresso tinha se dissolvido, preocupavam em dar educação aos filhos, mudavam das roças para as cidades, das cidadezinhas para cidades maiores em busca de melhores oportunidades.
Foto do carro "alegórico" com alguns penetras (ói eu ali na frente) e um trio "muito afinado" no engueikai (meu pai, Miki-san e Tanaka-san) tentando cantar uma música floclórica japonesa.
Estamos comemorando este ano o centenário da imigração japonesa ao Brasil, como todos vocês devem estar cansados de saber. Mas, vem cá: somos os únicos a celebrar a imigração? Nunca vi ou ouvi espanhóis, chineses, italianos, alemães, poloneses, marcianos ou quem quer que seja comemorar a chegada deles ao Brasil. Será que só nos temos motivos para tanta celebração?
Quem tiver uma ótima ou mesmo uma péssima explicação, por favor escreva umas linhas aí nos comentários. Vou ver se falo algo mais sobre a imigração num próximo post.